A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou, na última terça-feira, 26 de maio de 2026, os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). Este estudo é considerado uma das mais abrangentes pesquisas sobre envelhecimento no Brasil, que traz à tona importantes indicadores relacionados à saúde da população com 60 anos ou mais.
A pesquisa disponibiliza, em uma plataforma online, cerca de 100 indicadores que abrangem diversos aspectos como condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas. Os dados revelam que fatores urbanos e sociais têm um papel decisivo na qualidade de vida dos idosos no país, mostrando que envelhecer no Brasil envolve desafios que vão além da simples ausência de doenças.
Um dos dados mais alarmantes diz respeito à percepção do ambiente urbano. Segundo o estudo, 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relataram medo de cair devido a defeitos em calçadas e vias públicas. Este percentual é ainda mais preocupante entre as mulheres, onde chega a 50,5%. Entre os homens, a taxa é de 31,9%. A pesquisa também aponta que essa preocupação aumenta com a idade, alcançando 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais.
“Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo”, afirma Maria Fernanda Lima-Costa, coordenadora do Elsi-Brasil.
A pesquisa também destaca a questão da insegurança. Aproximadamente 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança onde vivem muito insegura em relação à violência e criminalidade, o que representa cerca de 3,8 milhões de idosos vivendo em contextos de medo e vulnerabilidade social. Este problema afeta diretamente a qualidade de vida e a saúde mental dessa população.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Outro ponto importante é a hipertensão arterial sistêmica, que continua sendo uma das condições mais relevantes entre os idosos. A pesquisa revelou que 34,4% dos idosos apresentam níveis de pressão arterial considerados hipertensos, totalizando cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de avaliação clínica e tratamento para evitar complicações graves.
Além disso, a perda da capacidade funcional também se destaca nos resultados. Aproximadamente 20,4% dos idosos têm dificuldade para realizar atividades básicas da vida diária, impactando sua autonomia e a de suas famílias. A pesquisa revela que 23,1% das mulheres idosas enfrentam limitação funcional, em comparação a 17% dos homens.
Os dados também indicam uma fragilidade na rede de apoio aos idosos. Apenas 37,9% daqueles que apresentam dificuldades recebem ajuda, e somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento. Essa situação evidencia a necessidade urgente de políticas integradas de cuidado e suporte a cuidadores familiares.
Os resultados reafirmam a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na atenção à saúde da população idosa. Cerca de dois terços dos idosos dependem do SUS como única fonte de atenção à saúde, destacando a relevância da Estratégia Saúde da Família (ESF), que atende cerca de 22,2 milhões de idosos no Brasil.
“Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável”, conclui Maria Fernanda.
