Fim da jornada 6×1: Lula reforça defesa de semana de 40 horas foi o ponto central do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Fórum Democracia Sempre, realizado recentemente em Barcelona. Ao justificar a proposta enviada ao Congresso Nacional, o chefe do Executivo argumentou que os avanços tecnológicos precisam beneficiar também os trabalhadores de baixa renda.
Fim da jornada 6×1: Lula reforça defesa de semana de 40 horas
No evento que reuniu representantes de cinco países latino-americanos e líderes europeus, Lula criticou o modelo atual de seis dias de trabalho para apenas um de descanso, limite previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O projeto do governo reduz a carga de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga remunerada, sem corte salarial.
“Os ganhos de produtividade precisam chegar ao cidadão que vive do salário mínimo. Não podemos permitir que somente o empresariado colha os frutos da modernização”, declarou o presidente, dirigindo-se a um auditório que incluía os presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia) e Pedro Sánchez (Espanha), entre outras autoridades.
Segundo o Palácio do Planalto, a medida conta com apoio de centrais sindicais e parte expressiva da população, mas enfrenta resistência de setores empresariais que alegam possível aumento de custos. Para especialistas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a redução da jornada pode gerar ganhos de produtividade quando combinada a investimentos em inovação, modelo já adotado em diferentes economias desenvolvidas.
Durante a fala, Lula vinculou a pauta trabalhista à necessidade de fortalecer a democracia: “Quando a democracia não oferece progresso social, perde credibilidade”. Ele também aproveitou para condenar conflitos armados em curso no mundo e defender o multilateralismo como caminho para a paz.
O Fórum Democracia Sempre foi criado em 2024 e reúne Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. A edição em Barcelona discutiu mecanismos para combater a desigualdade e garantir estabilidade institucional na América Latina e na Europa.
O texto que altera a CLT aguarda análise da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado, passará ao Senado e, posteriormente, à sanção presidencial. O governo não descarta negociar prazos de adaptação para micro e pequenas empresas, mas insiste em preservar a essência da proposta: cinco dias de trabalho, dois de descanso, sem redução salarial.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR
Fonte: Ricardo Stuckert / PR
