Fibromialgia: mobilização nacional pressiona por tratamento no SUS
Fibromialgia foi o foco de ações simultâneas em diversas cidades no último domingo (17 de maio de 2026), quando pacientes e profissionais de saúde reivindicaram atendimento especializado e efetivação de direitos previstos em lei.
Atividades ofereceram serviços gratuitos e conscientização
Em Brasília, o Parque da Cidade recebeu sessões de acupuntura, liberação miofascial, orientações de fisioterapia, apoio psicológico e rodas de conversa. A iniciativa fez parte da Mobilização Nacional pela Fibromialgia, organizada por pacientes como a servidora pública Ana Dantas, de 45 anos, que descobriu a síndrome há pouco mais de um ano.
“É uma doença invisível; a dor está no corpo, mas ninguém vê”, relatou Dantas, lembrando que tarefas antes concluídas em 20 minutos podem hoje levar horas. Cansaço extremo, lapsos de memória e dores difusas são dificuldades frequentes.
Síndrome crônica afeta principalmente mulheres
A fibromialgia caracteriza-se por dores musculares e articulares generalizadas, fadiga, distúrbios do sono e alterações de humor. Embora não cause deformidades, compromete a rotina e o rendimento profissional. De acordo com especialistas, alterações no sistema nervoso central amplificam a dor, e fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais e predisposição genética podem desencadear o quadro.
Mulheres entre 30 e 60 anos formam o grupo mais atingido, mas a síndrome pode aparecer em qualquer idade ou gênero. O diagnóstico é clínico, feito a partir da exclusão de outras doenças.
Lei federal garante atendimento, mas falta implementação
Desde 2023, uma lei federal definiu diretrizes para o SUS prestar assistência multidisciplinar, divulgar informações e capacitar profissionais sobre a doença. O texto iguala pessoas com fibromialgia a Pessoas com Deficiência para fins de avaliação biopsicossocial, possibilitando acesso a auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e Benefício de Prestação Continuada.
Apesar do avanço, pacientes apontam entraves burocráticos e falta de equipes preparadas. A enfermeira Flávia Lacerda, que já atuou com portadores da síndrome, afirma que “a lei ainda não pegou de verdade, muitos profissionais desconhecem as normas”.
Tratamento inclui medicamentos, exercícios e apoio psicológico
O controle dos sintomas costuma combinar analgésicos, antidepressivos, atividade física regular — como caminhadas, hidroginástica e alongamentos —, fisioterapia, técnicas de relaxamento e psicoterapia. A psicóloga Mariana Avelar destaca a importância da psicoeducação: “Entender limitações preserva a autoestima e facilita a adesão ao tratamento”.
Informações técnicas sobre diagnóstico e manejo podem ser consultadas no site da Sociedade Brasileira de Reumatologia, referência nacional em doenças musculoesqueléticas.
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Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
