Advogado e professor, Fábio Trad carrega o sobrenome de uma família política tradicional de MS e aposta na defesa das instituições para conquistar votos. Depois de mais de uma década no centro, deixou o PSD rumo a 2026.
Quando o advogado e professor universitário Fábio Ricardo Trad decidiu entrar na vida pública eletiva, já carregava o sobrenome de uma das famílias políticas mais tradicionais de Mato Grosso do Sul. Filho do jurista e ex-deputado federal Nelson Trad (1930–2011), Trad construiu a carreira nos tribunais e na academia, associando a imagem à defesa das instituições e ao debate jurídico.
Agora, ao disputar pela primeira vez o comando do Executivo estadual nas eleições de 2026, sua trajetória ganha um novo capítulo. Depois de mais de uma década no centro do espectro partidário, Trad deixou o PSD em 2025, filiou-se ao PT e, em 2026, foi confirmado candidato ao governo pela Federação Brasil da Esperança.
Nascido em Campo Grande em 18 de agosto de 1969, Fábio Trad formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atuou como professor, inclusive na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Antes de ingressar na política eletiva, projetou-se no meio jurídico do estado.
Entre 2007 e 2009, presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS). À frente da entidade, teve atuação em pautas institucionais, defesa das prerrogativas da advocacia e debates sobre acesso à Justiça e segurança pública. O cargo antecipou a entrada na disputa partidária: em 2010, elegeu-se deputado federal pelo então PMDB, atual MDB.
No Congresso, Trad exerceu mandatos em três períodos entre 2011 e 2023, de forma não contínua. Eleito em 2010, cumpriu o primeiro mandato de 2011 a 2015 e integrou a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), além de presidir, a partir de 2011, a comissão especial da reforma do Código de Processo Civil, cujo novo texto foi sancionado em 2015.
Em 2014, obteve 67.508 votos, mas ficou como suplente porque o PMDB não atingiu o quociente eleitoral no estado; reassumiu em dezembro de 2017 com a licença do deputado Carlos Marun. Em 2018, já no PSD, foi o segundo deputado federal mais votado do estado, com 89.385 votos, e exerceu o mandato de 2019 a 2023.
Nesse período, manteve atuação legislativa de perfil técnico: foi relator de matérias jurídicas e de direitos — incluindo consumidores, idosos, mulheres e pessoas com deficiência —, presidiu comissão especial ligada ao Código de Processo Penal e relatou a PEC 199/19, sobre prisão após condenação em segunda instância. Recebeu reconhecimento institucional, integrando por seis edições a lista dos “100 Cabeças do Congresso” e sendo eleito, em 2020, o melhor deputado federal do Brasil por júri do Prêmio Congresso em Foco.
Apesar dos reconhecimentos, enfrentou revéses eleitorais: após a suplência em 2014, tentou a reeleição em 2022 e não foi reconduzido; encerrou a passagem pela Câmara em janeiro de 2023.
Em 2023, Trad assumiu a gerência de controle e integridade da Embratur, na gestão de Marcelo Freixo, e permaneceu no cargo até março de 2026, quando deixou a função para se desincompatibilizar e se dedicar à campanha estadual.
Em agosto de 2025, após cerca de uma década no PSD, filiou-se ao PT. À ocasião, apresentou o gesto como:
“reencontro com sua ‘identidade política’ e compromisso com justiça social e defesa da democracia”.
A candidatura ao governo foi consolidada e oficializada na convenção da Federação Brasil da Esperança, em julho de 2026. A chapa tem como vice Dona Gilda (PT).
A mudança partidária também evidenciou o pluralismo da família Trad: o irmão Nelsinho Trad permanece no PSD e no Senado. Marquinhos Trad, ex-prefeito de Campo Grande e vereador eleito em 2024 pelo PDT, filiou-se ao PV em 2026 para disputar uma cadeira na Câmara.
A plataforma apresentada para 2026 enfatiza redução das desigualdades regionais, investimentos em ciência e inovação, fortalecimento dos serviços públicos e a combinação entre desenvolvimento econômico e justiça social. Ao deixar o Congresso, passar pelo governo federal e agora tentar o Palácio do Parque dos Poderes, Fábio Trad coloca à prova, pela primeira vez, a hipótese de que a experiência parlamentar e jurídica pode se converter em alternativa competitiva ao comando do estado.
