Exercício militar Brasil-França mobiliza 1,7 mil militares envolve tropas navais dos dois países na Ilha da Marambaia, na Costa Verde do Rio de Janeiro, dentro da Operação Jeanne d’Arc 2026.
Cooperação naval ganha força no Atlântico Sul
Cerca de 1,7 mil integrantes da Marinha do Brasil, da Marine Nationale e da 9ª Brigada do Exército Francês participaram, na última segunda-feira (27 de abril) e terça-feira (28 de abril), de um adestramento combinado que simulou ações anfíbias na Ilha da Marambaia. A mobilização integra a Operação Jeanne d’Arc 2026, tradicional missão de treinamento francesa que percorre vários países ao longo de cinco meses.
A fase realizada na costa fluminense contou com submarinos, meios aéreos e blindados, além do porta-helicópteros francês Dixmude, plataforma de 199 metros capaz de transportar até 650 soldados, 16 helicópteros, 110 veículos blindados e 13 tanques. A bordo, há ainda hospital, capela, restaurante e academia distribuídos em 12 conveses.
Transição mar-terra e intercâmbio de táticas
O primeiro dia concentrou o deslocamento do Dixmude do cais do porto do Rio de Janeiro até Itacuruçá, distrito de Mangaratiba. Na sequência, foram realizados preparativos para o assalto anfíbio executado no segundo dia, quando fuzileiros navais dos dois países realizaram tiro prático, progressão em campo minado simulado e procedimentos de primeiros socorros.
Segundo o comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais, capitão-de-mar-e-guerra Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, o intercâmbio permite aprimorar técnicas e conhecer equipamentos ainda não disponíveis na França, como o Carro Lagarta Anfíbio brasileiro. “Ganhamos know-how para operar navios anfíbios antes mesmo de eles entrarem em serviço pleno em nossa frota”, afirmou.
À frente do contingente francês, o capitão de mar-e-guerra Jocelyn Delrieu destacou a versatilidade do Dixmude. “É um navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças por mar e ar, além de funcionar como navio-hospital”, disse. Ele lembrou que a Marinha francesa mantém presença global há quatro séculos para proteger interesses e cooperar com nações parceiras.
De acordo com análise do Ministério das Forças Armadas da França, disponível no portal oficial defense.gouv.fr, a América do Sul é estratégica para Paris em razão da Guiana Francesa e das rotas atlânticas, o que reforça a importância da parceria com o Brasil, principal potência naval do Atlântico Sul.
O exercício encerrou a etapa brasileira da Operação Jeanne d’Arc. Nas próximas semanas, o grupo segue para outros portos da América Latina e da África, mantendo a cooperação binacional e a troca de experiências militares.
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Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
