A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-deputado federal Euclydes Pettersen, do partido Republicanos, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, na Operação Sem Desconto. A operação investiga desvios em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com a PF, Pettersen teria recebido, pelo menos, R$ 14,7 milhões para atuar em favor da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Em uma nota oficial, Pettersen negou qualquer envolvimento com os fatos investigados pela PF. Ele afirmou que o indiciamento é um “ato unilateral” que, segundo ele, “encerra uma investigação”.
“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS”, disse Pettersen.
A investigação da PF aponta que o ex-deputado seria uma “figura essencial” para conceder acesso do presidente da Conafer, Carlos Lopes, a políticos que tinham influência na indicação de cargos na presidência do INSS. Segundo o relatório, Pettersen teria facilitado a viabilização de projetos da Conafer no Congresso Nacional, incluindo um encontro entre Lopes e o senador Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, em 2023.
A PF destacou que o ex-deputado era considerado “o agente público mais bem pago” do esquema, devido à “compra de influência política direta na administração pública”. O relatório revela que Pettersen teria recebido um repasse recorrente de aproximadamente R$ 700 mil, através de transferências fracionadas para empresas e pessoas físicas.
No relatório, o ex-deputado era identificado como “Herói E” ou “Amigo E”, termos que designavam agentes públicos que garantiram proteção administrativa e política para a continuidade de descontos indevidos nos benefícios do INSS.
A PF também indiciou outras figuras relevantes, como o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e o ex-diretor de benefícios, André Fidelis, somando mais de 45 investigados por suspeitas de corrupção e crimes relacionados a desvios de benefícios.
O primeiro relatório final da Operação Sem Desconto concentrou-se nos supostos desvios relacionados à Conafer. A PF continuará as investigações para apurar outros fatos envolvendo associações e indivíduos conectados ao esquema de descontos do INSS.
