Transferências entre Marco Aurélio 'Marcola' e a empresária Roberta Luchsinger foram confirmadas por quatro fontes. A relação é investigada por suspeita de fraudes no INSS; valores e periodicidade ainda não foram esclarecidos.
O ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu uma quantia significativa de dinheiro da empresária e lobista Roberta Luchsinger. Essa relação está sob investigação devido a possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
As transferências financeiras realizadas entre Marcola e Roberta foram confirmadas por quatro pessoas que têm conhecimento do caso. Entretanto, os valores exatos, a frequência dos repasses e outros detalhes ainda estão sendo analisados pela Polícia Federal (PF).
Marcola ocupou o cargo de chefe de gabinete de Lula de janeiro de 2023 até 21 de julho de 2026, quando foi dispensado. Informações que circulam nos bastidores de Brasília indicam que o assunto começou a ganhar destaque logo após sua saída do Palácio do Planalto e foi discutido entre membros da cúpula do Partido dos Trabalhadores durante a convenção que oficializou a candidatura de Lula à reeleição, no dia 1º de agosto.
Os dados completos sobre as movimentações financeiras ainda não foram tornados públicos. Informações iniciais sugerem que os pagamentos podem ter totalizado cerca de R$ 80 mil, embora esse valor ainda não tenha sido confirmado.
Marcola era considerado um dos assessores mais próximos do presidente e tinha a responsabilidade de organizar a agenda oficial de Lula, bem como administrar um dos telefones utilizados para atender ligações destinadas ao chefe do Executivo.
Roberta Luchsinger está sendo investigada em um inquérito que apura fraudes bilionárias na Previdência Social. Ela prestou serviços a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que foi preso em setembro de 2025.
No início das investigações, em abril do ano passado, Roberta e Lulinha foram mencionados como possíveis participantes do esquema, mas ambos negaram qualquer envolvimento. Lulinha é alvo de três inquéritos, um dos quais investiga suspeitas de tráfico de influência.
Em uma entrevista realizada em maio deste ano, Roberta afirmou que apresentou Lulinha ao empresário investigado, mas negou ter feito isso com intenções comerciais. “Jamais apresentei os dois com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”, declarou.
A PF identificou pelo menos seis viagens realizadas por Roberta e Lulinha, com reservas emitidas sob o mesmo código localizador. Entre os registros estão uma viagem a Portugal em junho de 2024 e cinco deslocamentos nacionais entre abril e junho de 2025, o que sugere uma proximidade entre eles.
Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Roberta e Lulinha discutiam negócios relacionados ao INSS e a outras empresas. Em uma dessas conversas, Roberta perguntou se deveria continuar com uma operação, e Lulinha respondeu: “Pode fechar”. Investigações também apontam indícios de irregularidades envolvendo os Correios e a Dataprev.
Além disso, análises de mensagens revelaram discussões sobre locais considerados seguros para manter recursos financeiros fora do alcance da Receita Federal, com Luxemburgo sendo citado como uma opção.
Por meio de seu advogado, Roberta afirmou que se manifestará apenas nos autos do processo. “Em respeito ao próprio ministro André Mendonça, responderemos a todas as questões nos autos do inquérito que, até o momento, ainda não tivemos acesso”, disse.
Marcola confirmou a existência das transferências, mas negou qualquer irregularidade, alegando que os pagamentos se referiam a um empréstimo pessoal já quitado. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou.




