Na noite de 25 de maio de 2026, os Estados Unidos (EUA) realizaram bombardeios na cidade de Bandar Abbas, no Irã, violando o cessar-fogo estabelecido entre as nações. Os ataques ocorreram em um contexto de negociações que já duravam semanas, mas que não apresentavam avanços significativos.
Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, informou que os bombardeios tinham como alvo “locais de lançamento de mísseis e barcos que colocavam minas” no Estreito de Ormuz, uma região estratégica para o comércio marítimo global.
A cidade portuária de Bandar Abbas, que foi bombardeada, está localizada na costa do Estreito de Ormuz, uma área que o Irã havia fechado após os ataques dos EUA e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro.
Embora o Irã não tenha confirmado os locais específicos atingidos, agências de notícias locais, como Irna e Mehr News Agency, relataram que várias explosões foram ouvidas na região leste da cidade e em áreas costeiras, mas garantiram que a situação em Bandar Abbas “permanece totalmente sob controle”.
Os EUA justificaram os ataques como uma medida de “autodefesa”, alegando que estavam protegendo suas tropas das ameaças iranianas. De acordo com a AP News, a ação foi descrita como moderada, mesmo durante o cessar-fogo em vigor.
Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou que havia derrubado um drone MQ-9 Reaper dos EUA que teria invadido seu espaço aéreo. O IRGC advertiu que qualquer violação do cessar-fogo seria severamente respondida.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou uma nota condenando a “flagrante violação do cessar-fogo” por parte dos EUA, ressaltando que tais ações agressivas demonstram a má-fé do governo americano nas negociações.
As conversas de paz, que já se arrastam por quase sete semanas, enfrentam ainda mais desafios. O Irã exige a retirada das bases militares dos EUA do Oriente Médio, o desbloqueio de seus recursos congelados e a suspensão de sanções econômicas. Por outro lado, Washington solicita a entrega do urânio iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa do petróleo mundial.
Os analistas têm apontado que a justificativa dos EUA e de Israel para a intervenção militar, baseada no suposto programa nuclear do Irã, é vista como um pretexto, com o verdadeiro objetivo sendo a desestabilização do regime iraniano e a contenção da influência econômica da China na região.
