Marco Rubio afirmou que os EUA seguem abertos ao diálogo, mas prometeram reação se o Irã descumprir. A declaração foi na cúpula da ASEAN, enquanto os EUA realizavam a 11ª noite de ataques a alvos iranianos.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, 22, que Washington permanece disposto a negociar com o Irã, mas advertiu que haverá “consequências” caso Teerã continue descumprindo os compromissos assumidos.
A declaração ocorreu durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas, enquanto as forças norte-americanas realizam a 11ª noite consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos.
Rubio destacou que o governo dos EUA considera que o Irã não demonstra disposição real para avançar nas negociações. “O problema que temos neste momento é que eles não estão levando as conversas a sério”, afirmou. “Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e os interesses de nossos aliados.”
“Os Estados Unidos continuam abertos e dispostos a participar de negociações positivas enquanto os compromissos assumidos forem respeitados. Quando isso não acontecer, haverá consequências. E isso precisa acontecer.”
O secretário reiterou que os compromissos firmados pelo Irã devem ser respeitados para que as negociações possam avançar. Além disso, ele criticou a exigência iraniana de controlar a navegação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Para Rubio, permitir que Teerã imponha restrições à passagem de embarcações criaria um precedente perigoso.
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“Se criarmos um precedente no Oriente Médio em que um Estado decide controlar uma hidrovia internacional e, se você não pagar, explode seus navios, estaremos estabelecendo um precedente muito perigoso, que poderá se repetir em outras partes do mundo.”
Segundo o secretário, a liberdade de navegação é um princípio fundamental do comércio internacional. “Se isso for ameaçado, a economia global também será ameaçada, assim como as regras que sustentam 150 anos de comércio internacional”, declarou. “Isso não pode ser permitido.”
As declarações de Rubio ocorreram em um momento de tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, que ultrapassam a metade do prazo de 60 dias previsto em um memorando de entendimento firmado em 17 de junho, que trata do programa nuclear e de mísseis iranianos, das sanções econômicas e da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Recentemente, o presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo “acabou”, embora tenha afirmado que o Irã deseja “desesperadamente” retomar as negociações. Rubio defendeu a manutenção da pressão militar como uma forma de impedir que Teerã ameace uma das principais rotas marítimas do planeta.
“Se essas consequências não existissem, hoje estaríamos vivendo em um mundo em que uma parcela significativa do fornecimento de energia desta região e 20% da energia mundial estaria sendo mantida como refém por um regime desonesto.”
Durante a entrevista, Rubio também mencionou a cooperação entre China e Irã, embora tenha minimizado o impacto dessa colaboração sobre o conflito. Ele destacou a importância do diálogo com a China, independentemente das diferenças entre os países, e comentou sobre as tensões envolvendo a China, Japão e Taiwan.




