Na madrugada desta quinta-feira, 28 de maio de 2026, os Estados Unidos realizaram um segundo ataque contra o Irã em um intervalo de três dias. A resposta do Irã não tardou e, segundo informações, o país lançou mísseis em direção a uma base militar americana, sem especificar a localização exata. O Kuwait, por sua vez, anunciou que conseguiu interceptar os projéteis que estavam em seu espaço aéreo.
Esta troca de ataques ameaça o já frágil cessar-fogo entre as duas nações, enquanto Israel continua sua ofensiva no Líbano, atingindo até mesmo a capital, Beirute. O governo iraniano exige a cessação da guerra também no Líbano, mas as negociações até o momento têm se mostrado infrutíferas.
As forças armadas dos EUA afirmaram que o ataque do Irã ocorreu após a interceptação de cinco drones iranianos, sendo que um sexto drone estaria prestes a ser lançado da cidade de Bandar Abbas, no Irã. O Comando Central dos EUA, responsável pela coordenação das operações militares na região, afirmou que os drones representavam uma “ameaça clara perto do Estreito de Ormuz”.
Em um comunicado, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) confirmou que atacou uma base militar americana às 4h50 do horário local. Essa base é considerada a origem dos ataques dos EUA nas imediações do aeroporto de Bandar Abbas.
“Esta resposta é um sério aviso para que o inimigo saiba que o ataque não ficará sem resposta e, se for repetido, nossa resposta será mais decisiva”, disse o IRGC.
Apesar de o Irã não ter revelado a localização da base americana atacada, tanto o Kuwait quanto os Estados Unidos confirmaram que os mísseis iranianos foram direcionados ao território kuwaitiano e interceptados pelas forças armadas do Kuwait. O Estado-Maior do Exército kuwaitiano informou: “Na manhã de quinta-feira, as defesas aéreas do Exército do Kuwait interceptaram e destruíram drones e mísseis inimigos. As fortes explosões ouvidas em algumas partes do Kuwait foram resultado dessas interceptações.”
Os países da região, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, manifestaram sua condenação à retaliação do Irã. O governo saudita expressou sua repulsa por meio de um comunicado: “O Ministério das Relações Exteriores expressa a condenação do Reino da Arábia Saudita e sua repulsa nas mais fortes palavras aos ataques hostis com mísseis e drones contra o Estado irmão do Kuwait.”
No Líbano, apesar de um suposto acordo de cessar-fogo, Israel continua seus bombardeios, enquanto o Hezbollah realiza operações contra as forças israelenses. Desde o início do conflito em 2 de março, mais de 3.200 pessoas perderam a vida, com mais de 9.700 feridos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
As negociações entre Irã e EUA seguem sem resultados. O Irã exige a retirada das bases militares americanas do Oriente Médio e o desbloqueio de recursos financeiros congelados, enquanto os Estados Unidos demandam a entrega do urânio iraniano e garantias de que o Estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo, estará aberto. O chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, Ibrahim Azizi, afirmou que o país não abrirá mão de suas exigências.
“O Irã não será pressionado a recuar das suas linhas vermelhas pela retórica de Trump: o direito de enriquecer urânio, a posse de urânio enriquecido, a autoridade sobre o Estreito de Ormuz e a remoção de sanções”, comentou Azizi.
Enquanto isso, analistas apontam que as justificativas apresentadas pelos EUA e Israel para a guerra contra o Irã, relacionadas ao programa nuclear, podem ser um pretexto para outros objetivos, como a derrubada da República Islâmica e a contenção da expansão econômica da China na região.
