USTR anunciou em 23/07/2026 uma sobretaxa de 12,5% que se soma à tarifa extra de 25%. Com isso, a alíquota pode atingir 37,5%, colocando o Brasil entre os alvos com maiores tarifas nos EUA.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, um novo pacote de tarifas que impõe uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Essa nova alíquota se junta à tarifa adicional de 25% já confirmada anteriormente.
Com essa soma, a sobretaxa total aplicada a produtos brasileiros pode chegar a 37,5%. Se essa situação se concretizar, o Brasil se tornará parte de um grupo de economias que enfrentam algumas das mais altas alíquotas de importação nos Estados Unidos.
Em uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira da semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Mário Elias Rosa, declarou que o governo brasileiro ainda não tem clareza sobre a cumulatividade das sobretaxas. Ele também informou que a tarifa adicional de 25% impacta setores como madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos de cerâmica e açúcar. Segundo Rosa, essa alíquota corresponde a cerca de 18% das exportações brasileiras, o que representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. Esse percentual é uma referência às vendas ao exterior previstas para 2024.
A nova sobretaxa de 12,5% atinge os mesmos setores afetados pela tarifa anterior. No entanto, alguns produtos estão isentos de ambas as alíquotas, incluindo café, carne bovina, aeronaves e peças da Embraer, medicamentos, computadores, veículos, autopeças, e uma ampla gama de alimentos, minérios e produtos industriais.
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Em resposta a essa nova medida dos Estados Unidos, o governo brasileiro manifestou sua oposição e anunciou que “iniciará imediatamente os trâmites” para “acionar os instrumentos da Lei da Reciprocidade”. O Palácio do Planalto afirmou que a decisão norte-americana carece de uma base legal que sustente sua “política comercial protecionista”.
Além disso, foi comunicado que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) forneceu “farta documentação” sobre a legislação brasileira e o trabalho das autoridades para “coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”.
O USTR conduziu investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio, que aborda práticas comerciais consideradas desleais. Essas investigações envolveram o Brasil e resultaram na imposição da tarifa adicional de 25%, após a apuração de práticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.
Em uma conversa telefônica com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, afirmou que as investigações concluíram que o Brasil adotou uma série de medidas que foram consideradas injustas pelos interesses norte-americanos.
O novo pacote de tarifas, anunciado nesta quinta-feira, é fruto de uma investigação que abrangeu 60 economias, focando em supostas falhas no combate ao trabalho escravo. O relatório do USTR indicou que 54 países investigados não impuseram ou aplicaram medidas para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
