Pesquisa inédita feita no Brasil muda o tratamento de quem já teve AVC. O ensaio Trident acompanhou 1,6 mil pacientes e foi publicado no New England Journal of Medicine.
No Brasil, um estudo liderado pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), trouxe resultados promissores na prevenção de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) recorrentes. O ensaio clínico, conhecido como Trident, foi publicado no New England Journal of Medicine e envolveu mais de 1,6 mil pacientes ao longo de 2,5 anos.
O projeto Trident, que significa Terapia Tripla para a Prevenção de Eventos Intracerebrais Recorrentes, focou em pacientes que já sofreram AVC hemorrágico. Dentre os participantes, 833 receberam uma combinação de medicamentos – telmisartana, anlodipino e indapamida – enquanto 837 foram tratados com placebo. Os dados revelaram que apenas 38 dos pacientes que usaram a pílula tripla tiveram um novo AVC, em comparação com 72 do grupo placebo.
Os resultados indicam uma redução de 39% no risco de novos AVCs e uma diminuição de 60% na chance de novos sangramentos cerebrais. A pesquisa também destacou que quase metade dos pacientes que utilizaram a combinação atingiu a meta de pressão sanguínea saudável rapidamente, um resultado que, em tratamentos convencionais, pode demorar meses.
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“Esse é um impacto enorme. Poucos tratamentos na medicina alcançam algo semelhante. Por isso, temos muito orgulho desse resultado”, afirma a neurologista Sheila Martins, que liderou o estudo no Brasil.
A iniciativa busca não apenas combater a doença, que resulta em uma morte a cada seis minutos no Brasil, mas também superar um dos maiores desafios da saúde pública: a baixa adesão aos tratamentos. Segundo especialistas, a descontinuidade no uso de medicamentos é um problema comum, especialmente em casos que envolvem controle de pressão alta.
O Dr. Sheila Martins também mencionou que o The George Institute for Global Health, responsável pela pesquisa, já deu início ao processo de submissão do tratamento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), um passo crucial para que a pílula esteja disponível para a população brasileira.
O projeto Trident teve início em 2017 e envolveu a participação de 11 centros de saúde no Brasil, além de países como Austrália, China e Inglaterra. A Dra. Ana Cláudia de Souza, neurologista vascular e líder médica do projeto no Brasil, destacou a singularidade do estudo, que combina parcerias público-privadas e uma colaboração internacional. “Os resultados mostraram uma grande eficácia e segurança da pílula ‘três em um’”, concluiu Ana Cláudia.
