O governo espanhol publicou no Boletín Oficial del Estado resolução que obriga cada lagar a manter 12% da produção mensal declarada em estoque. A medida visa conter a queda dos preços após safra abundante.
A Espanha, maior produtora mundial de azeite de oliva, determinou limites à oferta do produto como parte de uma campanha para conter a queda de preços depois de uma safra abundante. A medida foi formalizada em resolução publicada nesta sexta-feira (06) no Boletín Oficial del Estado.
“Cada lagar terá a obrigação de manter estocado 12% de sua produção declarada mensalmente, em instalações próprias ou de terceiros”
A regra citada na resolução estabelece que cada lagar — o estabelecimento onde as azeitonas são moídas e prensadas para extração do azeite — terá de guardar 12% da produção que declarar a cada mês. A obrigatoriedade pode ser cumprida em armazéns próprios ou em dependências de terceiros, conforme previsto no texto oficial.
A restrição valerá a partir deste mês de novembro até setembro de 2027, segundo a resolução do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação. O período inclui parte da campanha agrícola e pretende reduzir a pressão sobre os preços no mercado, diante do excesso de oferta registrado na última temporada.
Na própria resolução, com base em dados analisados inicialmente, a produção projetada para o ciclo 2026/2027 é de 1.602.596 toneladas. Esse número foi citado como referencial para a adoção das medidas de controle de oferta.
A decisão prevê um mecanismo temporário de retenção de parte da produção diretamente no setor, com objetivo declarado de influenciar o balanço entre oferta e demanda. A iniciativa deverá afetar os lagares que operam no país durante o período indicado pela norma e impõe requisitos de armazenamento que estarão detalhados no texto da resolução.
O anúncio ocorre em um contexto de mercado marcado pela volatilidade de preços do azeite, resultado de combinações entre safras, estoques e demanda interna e externa. A medida é apresentada como uma ação administrativa para tentar estabilizar os preços sem alterar a produção declarada pelos estabelecimentos.
Detalhes operacionais sobre fiscalização, penalidades e critérios de comprovação do estoque ficaram descritos na resolução do Ministério, que formalizou as regras no boletim oficial publicado em 06/11/2026.
