No primeiro mês sem o imposto sobre compras de até US$ 50, o país recebeu cerca de 30 milhões de remessas em junho. É alta de 118% ante 13,02 milhões no ano anterior e 72% acima de abril (16,51 milhões).
No primeiro mês completo sem a cobrança do imposto de importação sobre compras de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”, o número de encomendas internacionais recebidas no Brasil apresentou um crescimento significativo. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que, em junho, o país recebeu cerca de 30 milhões de remessas, representando uma alta de 118% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram registradas 13,02 milhões de encomendas.
Ao comparar com abril de 2026, último mês em que o tributo ainda estava em vigor, o crescimento foi de 72%, aumentando de 16,51 milhões para 28,36 milhões de remessas. Em relação à média dos quatro primeiros meses de 2026, que foi de 15,42 milhões de encomendas, o aumento alcançou 84%.
A taxa das blusinhas era alvo de críticas de diversos consumidores, que apontavam o encarecimento de produtos populares vendidos em plataformas internacionais. Além disso, havia questionamentos sobre o tratamento desigual em relação aos viajantes que retornam do exterior dentro da cota de isenção.
Entidades ligadas ao varejo brasileiro têm solicitado isonomia tributária em relação às plataformas estrangeiras.
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa empresas como Americanas e Magazine Luiza, indicou que uma pesquisa realizada com o mercado demonstrou uma retração nas vendas do comércio em junho em alguns setores, influenciada pela Copa do Mundo. Contudo, o IDV destacou que o aumento nas compras em plataformas internacionais pode afetar ainda mais o desempenho do varejo nacional. “A queda de vendas também deverá ser registrada em outros setores devido ao expressivo aumento das vendas por plataformas eletrônicas on-line estrangeiras, que estão com o benefício de zero no Imposto de Importação”, afirmou a entidade.
Em junho, frentes parlamentares ligadas ao comércio e ao ambiente de negócios divulgaram um manifesto em defesa da isonomia tributária, afirmando que é necessário garantir igualdade no tratamento tributário para preservar a competitividade entre empresas nacionais e estrangeiras. “Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”, destacaram.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Alibaba e Amazon, considerou natural o aumento das importações de baixo valor com o fim da cobrança do imposto. No entanto, a entidade ressaltou que é necessário cautela na análise desse crescimento, que deve ser monitorado ao longo dos próximos meses.
Embora a isenção do imposto federal tenha sido um avanço para a democratização do consumo, a tributação sobre encomendas internacionais de até US$ 50 voltará a existir em 2027, com a Contribuição sobre Bens e Serviços, conforme a reforma tributária do consumo, cuja alíquota ainda será definida pelo governo até dezembro deste ano. Estima-se que a cobrança seja de 9,43% a partir de 2027.



