Em 2006 Eliasch pagou US$22 milhões pela Gethal e suspendeu atividades extrativas em mais de 1.600 km². Cerca de 1.000 trabalhadores perderam o emprego; ele disse priorizar a conservação para frear o desmatamento.
Em 2006, o bilionário sueco-britânico Eliasch comprou a madeireira Gethal Amazonas por US$ 22 milhões — cerca de R$ 60 milhões na época — e determinou o encerramento da operação extratora de madeira em um terreno de mais de 1.600 quilômetros quadrados. A decisão deixou cerca de mil pessoas sem emprego, número que foi informado pelo próprio Eliasch no ano da compra.
O comprador reconheceu que os trabalhadores dependiam da renda gerada pela unidade, mas justificou a prioridade em impedir a continuidade do desmatamento. Segundo o relato apresentado à época, a intenção foi conservar uma área extensa de floresta intacta, preservando biodiversidade e o carbono armazenado na vegetação. Eliasch também passou a defender que outros empresários ricos adquirissem áreas ameaçadas como forma de evitar exploração madeireira e expansão agropecuária, posição que provocou controvérsia e reações adversas em parte da população local.
No Brasil, o plano enfrentou resistência. Houve críticas sobre a concentração de terras amazônicas nas mãos de estrangeiros e preocupações de que comunidades locais e povos indígenas estavam sem voz ativa nas decisões sobre a proteção das florestas onde vivem.
Em 2008, a Gethal foi autuada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 381 milhões. O Ibama informou que a empresa não havia cumprido um Termo de Ajustamento de Conduta assinado em 2005 e apontou irregularidades envolvendo aproximadamente 700 mil metros cúbicos de madeira, volume que corresponderia a cerca de 230 mil árvores. A empresa contestou as acusações, afirmando que os fatos se referiam à administração anterior e que a exploração teria sido encerrada após a entrada de Eliasch.
No ano de 2009, a Justiça brasileira tornou indisponíveis todos os bens da Gethal, além de mais de 33 mil hectares de florestas vinculadas à empresa. A atuação do empresario na Amazônia também foi alvo de investigações pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que apurava informações de que ele teria calculado quanto custaria adquirir extensões maiores de floresta.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional e passou por apurações em órgãos públicos, Congresso e polícia. Em levantamentos posteriores, as investigações dos órgãos públicos não apontaram elementos que resultassem em responsabilizações relevantes contra Eliasch.
Depois das polêmicas, Eliasch manteve envolvimento com a agenda ambiental e cofundou a organização internacional sem fins lucrativos Cool Earth. Hoje, a ONG atua com povos indígenas e comunidades locais, concentrando projetos na proteção de florestas tropicais ao redor do mundo.


