Austrália emite alerta sobre El Niño intenso no segundo semestre de 2026. Chuvas excessivas e secas severas ameaçam abastecimento global de alimentos.
O Serviço Meteorológico da Austrália emitiu um alerta nesta terça-feira (16) sobre a formação de um fenômeno climático El Niño no Pacífico tropical, que deve se intensificar no segundo semestre de 2026. Meteorologistas indicam que este evento pode se tornar um dos mais intensos das últimas sete décadas.
As previsões apontam que o El Niño poderá trazer chuvas excessivas em algumas partes das Américas, enquanto regiões da Ásia enfrentarão calor intenso e seca. Essas condições climáticas já estão prejudicando o plantio na região mais populosa do mundo, gerando preocupações sobre o abastecimento de alimentos.
O Serviço Meteorológico da Austrália destacou que as temperaturas da superfície do mar na área já ultrapassaram os limites considerados normais para o fenômeno. Além disso, todos os indicadores atmosféricos estão apontando para a ocorrência do El Niño, conforme comunicado oficial.
“As previsões apontam para um El Niño forte a muito forte, com base na extensão do aquecimento no Pacífico tropical central”, afirmou a instituição.
Cerca de metade dos modelos climáticos utilizados pelos cientistas indica que este evento poderá alcançar picos entre os mais altos já observados desde 1950. Os especialistas também ressaltam que as mudanças climáticas em curso devem intensificar os efeitos do El Niño deste ano.
O fenômeno está associado a uma redução nas chuvas durante o inverno e a primavera, especialmente na costa leste da Austrália, além de provocar temperaturas diurnas mais altas no sul do país. Este cenário é particularmente preocupante para a Austrália, que é um dos maiores exportadores mundiais de produtos como trigo, açúcar e carne bovina.
O último El Niño registrado, que ocorreu entre 2023 e 2024, resultou no período de três meses mais seco já documentado na Austrália. Outro evento significativo desse tipo, que aconteceu entre 2015 e 2016, causou uma seca generalizada e teve um impacto negativo na produção de grãos e oleaginosas, levantando alertas sobre a segurança alimentar e a economia agrícola do país.
