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Política

Dólar cai a R$ 5,45 com alívio externo; real reage com cautela

Rafael Ramos
De R2Sites
Publicado: 05/11/2026
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Dólar cai a R$ 5,45 com alívio externo; real reage com cautela
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Vitória dos democratas nos EUA aliviou tensões geopolíticas e reduziu pressão sobre o dólar nesta quarta. No Brasil, investidores seguiram cautelosos e o real subiu menos que outras moedas emergentes.

Após subir em três pregões seguidos e atingir o maior fechamento do ano na terça-feira, o dólar à vista recuou frente ao real nesta quarta-feira (04), acompanhando o comportamento global da moeda americana. A vitória do Partido Democrata nas eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos foi vista como um limitador ao voluntarismo do então presidente Donald Trump e mostrou potencial para reduzir as tensões geopolíticas, inclusive no Oriente Médio.

O real, no entanto, avançou menos que outras divisas de mercados emergentes. Investidores mantiveram postura cautelosa diante da expectativa por sinais sobre a política econômica do governo Lula 4 e pela próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A forte queda do petróleo — mais de 8% ao longo da tarde — também ajudou a reduzir o preço do dólar, pela menor percepção de risco, apesar de atuar contra os termos de troca do país exportador de petróleo.

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Depois de uma alta pontual no início da tarde, quando chegou a R$ 5,4985, o dólar firmou-se em terreno negativo nas últimas horas de negócios e terminou o dia em baixa de 0,65%, a R$ 5,4518. A moeda americana acumulou alta de 0,14% nos três primeiros pregões de novembro, após ganhos de 9,04% na última semana de outubro — a maior valorização semanal desde outubro de 2008, no auge da crise financeira global.

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, destacou a importância da decisão do Copom diante do debate público sobre propostas de redução forte da taxa Selic para estancar o crescimento da dívida pública. A avaliação ressaltou a necessidade de cautela do banco central.

“O mercado vai se assustar se o Copom continuar a cortar os juros mesmo com a alta do dólar e a piora das expectativas de inflação. O mais recomendável é adotar uma pausa agora, já que há muita dúvida sobre o compromisso do governo com um ajuste fiscal”.

Apurou-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento em cadeia nacional neste fim de semana, no qual deve reforçar o compromisso com a busca das metas fiscais, mesmo ao cumprir promessas de campanha que impliquem aumento de gastos. Essa expectativa pode ter contribuído para que o dólar se aproximasse das mínimas da sessão à tarde.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, avaliou que a cautela prevaleceu e impediu um alívio mais expressivo do real frente aos pares.

“A cautela ainda predomina, com o mercado à espera das medidas de ajuste fiscal e do nome do novo ministro da Fazenda. Isso impediu um alívio mais expressivo do real, que não conseguiu acompanhar os pares”.

O Banco Central informou que o fluxo cambial foi positivo em US$ 4,498 bilhões na semana passada, com entradas líquidas de US$ 6,427 bilhões pelo segmento comercial e de US$ 3,070 bilhões pelo canal financeiro.

Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, comentou a leitura dos números do comércio exterior e do canal financeiro.

“Os exportadores aproveitaram a forte desvalorização cambial para internalizar recursos. O saldo positivo no canal financeiro pode ter refletido, ao menos parcialmente, o interesse de estrangeiros em aproveitar a desvalorização dos ativos domésticos”.

Goldenstein acrescentou que a forte depreciação do real na semana anterior refletiu, principalmente, o aumento dos prêmios de risco, a desmontagem de posições compradas na moeda brasileira no mercado de derivativos da B3 e a maior demanda por proteção cambial.

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