Aliados evitam proximidade com o senador diante da instabilidade de sua pré-campanha. Interlocutores definem o cenário como 'caixinha de surpresas', dificultando articulações políticas.
O clima político está tenso e a reaproximação entre a direita e o centrão com o senador Flávio Bolsonaro (PL) parece cada vez mais distante. Um membro da alta cúpula do Palácio dos Bandeirantes, que pediu para não ser identificado, afirmou:
Ninguém quer ficar por perto.
Os aliados de Flávio expressam preocupação com sua pré-campanha, reconhecendo que ela se tornou “uma caixinha de surpresas”. Isso tem dificultado as articulações de outros políticos que buscam estabilidade em um período tão próximo das eleições. A incerteza em torno dos próximos passos de Flávio é palpável, e muitos optam por evitar agendas conjuntas ou acenos públicos.
A situação é agravada por recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor novas tarifas ao Brasil e criticou o sistema de pagamentos PIX. Esses comentários não têm contribuído para uma possível reaproximação entre Flávio e seus antigos aliados.
O Partido Progressista (PP), que anteriormente buscava a vaga de vice, decidiu congelar as negociações. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também não mantém contato com Flávio desde o evento de lançamento da pré-campanha de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, onde demonstrou estar “incomodado” e “desconfortável”.
Dentro do PL, as discussões apontam que essa será a primeira grande prova para a nova equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro, que passou por uma reformulação após a repercussão negativa do caso Master. Interlocutores indicam que pesquisas internas apontavam uma recuperação para Flávio, especialmente após os Estados Unidos classificarem algumas organizações criminosas como terroristas. Essa situação havia ajudado o senador a se distanciar da crise relacionada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas essa recuperação foi breve.
Recentemente, uma fonte destacou:
Agora já vem um novo desgaste.
Além disso, o presidente Lula (PT), que busca a reeleição, já conseguiu capitalizar em cima do discurso de soberania e pode novamente obter vantagens nesse cenário. A complexidade do quadro atual evidencia a fragilidade das alianças e a necessidade de cautela nas movimentações políticas.
