No primeiro semestre de 2026, as despesas financeiras do governo federal somaram R$149 bilhões (1,09% do PIB). Cálculo da consultoria BRCG aponta valor próximo ao de 2025 e reacende alerta sobre a dívida pública.
No primeiro semestre de 2026, a despesa financeira do governo federal alcançou R$ 149 bilhões, o que representa 1,09% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Os dados foram calculados pelos economistas Matheus Rosa e Lívio Ribeiro, da consultoria BRCG, em um estudo solicitado por um veículo de comunicação.
O montante é próximo ao total registrado em 2025, que foi de R$ 161 bilhões. Esse aumento nas despesas financeiras levanta preocupações sobre a dívida pública, um tema que vem sendo amplamente debatido por economistas e analistas de mercado.
As despesas financeiras do governo incluem operações como aportes em fundos garantidores e transferências para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de outros bancos que participam de programas de crédito. Esse indicador é relevante para avaliar as ações do governo além dos gastos primários, considerando também os efeitos na economia e na inflação.
Os gastos primários referem-se ao desembolso tradicional do governo, incluindo salários, aposentadorias, custeio da máquina pública e investimentos. Esses valores são fundamentais para cumprir as diretrizes do arcabouço fiscal.
O levantamento não incluiu os gastos com juros da dívida pública, que são os itens mais significativos nas despesas financeiras, mas que não estão sob a responsabilidade do governo. Os dados orçados para este ano indicam que o nível previsto é o mais alto desde o período da pandemia.
“Ao analisarmos os Orçamentos de 2020 a 2023, notamos exceções importantes às regras fiscais, que permitiram o aumento das despesas”, afirmou Matheus Rosa, um dos autores do estudo. “Em 2024, com o novo arcabouço fiscal, observamos um crescimento nas políticas de crédito facilitado do governo, especialmente nos últimos dois anos.”
Em nota, o Ministério da Fazenda declarou que não comenta estudos ou estimativas de fontes externas. Apesar disso, ressaltou que as despesas financeiras não equivalem a um “impulso fiscal”.
“O valor agregado, por si só, não permite concluir que houve um impulso fiscal de R$ 149 bilhões, nem quantificar seu impacto na atividade econômica ou na inflação”, informou o Ministério da Fazenda.
O governo também se manifestou sobre os riscos fiscais, afirmando que as despesas financeiras estão devidamente identificadas no Orçamento, que é elaborado e avaliado bimestralmente para garantir o cumprimento das regras fiscais atuais e a trajetória de consolidação fiscal prevista.
Ainda segundo a Fazenda, o déficit primário está em trajetória decrescente, com uma redução de mais de 70% projetada entre 2023 e 2025.
Dados do Banco Central, divulgados no final de julho, mostram que a dívida bruta do setor público brasileiro continua a crescer sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em junho de 2026, esse indicador chegou a R$ 10,8 trilhões, correspondendo a 81,9% do PIB.
A dívida bruta do governo geral é a soma total das obrigações financeiras que o governo deve honrar, incluindo as dívidas do governo federal, dos Estados e dos municípios com bancos, cidadãos e entidades internacionais.
Os números indicam que a dívida pública brasileira vem subindo desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023. No final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022, a dívida bruta era de 71,7% do PIB, refletindo um aumento de 10,2 pontos percentuais até agora.
Esse patamar é o mais alto desde abril de 2021, durante a pandemia de covid-19, e se aproxima do recorde histórico de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020.
