Desigualdades e pandemias: relatório da Unaids indica 4 ações
Desigualdades e pandemias formam um ciclo que agrava surtos e prolonga crises sanitárias, segundo a versão em português do relatório “Rompendo o ciclo da desigualdade – pandemia: construindo a verdadeira segurança na saúde em uma era global”, lançado durante a 57ª Reunião da Junta de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
Impacto direto das desigualdades na saúde global
Elaborado pelo Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias, o estudo se baseia em dois anos de pesquisas em vários países. A conclusão central é clara: níveis elevados de desigualdade favorecem a emergência de surtos, dificultam respostas nacionais e internacionais e tornam as pandemias mais longas, letais e custosas.
O documento destaca que, em sociedades mais desiguais, o risco de morte decorrente de doenças como HIV, Covid-19, Ebola ou Influenza é maior. Por outro lado, a redução da pobreza e a ampliação da proteção social aumentam a resiliência das comunidades diante de novas ameaças sanitárias.
Brasil lidera discussões estratégicas
Ao presidir o conselho do Unaids, o Brasil desempenha papel determinante na construção da estratégia global para a Aids no período 2026-2031, que será levada à mesa de negociações do Grupo dos 20. A presidência brasileira ocorre em um momento de retração nos recursos internacionais, após cortes realizados por grandes doadores, como os Estados Unidos.
Quatro recomendações para romper o ciclo
O relatório apresenta um conjunto de medidas batizado de Prevenção, Preparação e Resposta (PPR):
- Reorganizar o sistema financeiro: renegociar dívidas, repensar linhas de crédito emergencial e abandonar políticas de austeridade pró-cíclicas.
- Investir em proteção social: atacar determinantes sociais das pandemias com redes de segurança que cheguem às populações mais vulneráveis.
- Fortalecer produção local e regional: criar nova governança em pesquisa e desenvolvimento, tratar o compartilhamento de tecnologia como bem público e ampliar o acesso a medicamentos e vacinas.
- Construir confiança e equidade: articular governos e sociedade civil em redes de governança multissetorial que garantam transparência e eficiência nas respostas.
Desigualdade como escolha política
A ex-primeira-dama da Namíbia Monica Geingos, integrante do conselho, reforçou que “a desigualdade não é inevitável”. Para ela, líderes que visam minimizar o impacto de futuras crises sanitárias devem priorizar políticas de redução das disparidades socioeconômicas — visão compartilhada pelo Unaids e também pela Organização Mundial da Saúde, que há anos alerta para a correlação entre pobreza, acesso a tratamentos e mortalidade.
Consequências de agir tarde demais
O estudo enfatiza que postergar ações amplifica o custo humano e econômico das epidemias. Doenças persistentes como Aids, tuberculose e malária continuam figurando entre as maiores ameaças por causa da manutenção das barreiras de renda, gênero e localização geográfica.
Em síntese, o Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias defende que a segurança sanitária só será efetiva quando governos, mercado e sociedade civil se unirem para enfrentar a raiz do problema: a desigualdade.
Para acompanhar mais análises sobre saúde pública e políticas sociais, visite a editoria de Saúde do nosso portal e continue informado.
Crédito da imagem: Unaids
Fonte: Unaids
