Projeções da CNN e da CBS na madrugada mostram avanço democrata na contagem de cadeiras da Câmara, com apuração ainda em curso. A oposição também obteve vitórias no Senado em estados tradicionalmente republicanos.
O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, segundo projeções das emissoras CNN e CBS divulgadas na madrugada desta quarta-feira, 4. A oposição também avançou na disputa pelo Senado, com vitórias em Estados tradicionalmente republicanos, resultado que ameaça a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar projetos no Congresso durante a segunda metade do mandato.
A contagem dos votos ainda não havia terminado quando as emissoras projetaram a vitória democrata na Câmara. Até as 1h29, no horário de Brasília, 152 cadeiras estavam atribuídas aos democratas e 95 aos republicanos. Para controlar a Casa, um partido precisa reunir pelo menos 218 dos 435 deputados.
Com a mudança de comando, os democratas poderão assumir a presidência de comissões parlamentares, convocar autoridades e aprofundar investigações sobre decisões da Casa Branca. O partido também terá condições de barrar propostas republicanas que dependam da aprovação da Câmara, inclusive medidas relacionadas ao orçamento federal.
A derrota ocorre dois anos depois de Trump voltar à Presidência com os republicanos no controle das duas Casas do Congresso. Embora conserve o poder de veto, o presidente terá de negociar com uma oposição fortalecida para aprovar parte de sua agenda.
“Se estivesse, teríamos vencido de lavada.”
Essa declaração foi publicada pelo presidente Donald Trump na rede Truth Social, ao observar que seu nome não constava nas cédulas. Em entrevista a um jornal americano, Trump disse estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados.”
“Vamos trabalhar com os democratas e, sabe, estamos ansiosos para trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento.”
A disposição para negociar será colocada à prova quando o novo Congresso assumir, em 3 de janeiro de 2027. Os democratas fizeram campanha contra medidas econômicas do governo e criticaram a condução da guerra contra o Irã. Com a maioria na Câmara, poderão transformar parte dessas críticas em investigações e disputas legislativas.
O líder democrata Hakeem Jeffries, reeleito deputado por Nova York, poderá assumir a presidência da Câmara. A escolha caberá aos integrantes da Casa na abertura da próxima legislatura.
No Senado, uma das maiores surpresas ocorreu no Texas: o democrata James Talarico, de 37 anos, derrotou o procurador-geral republicano Ken Paxton, de 63, apoiado por Trump. A vitória encerrou um período de mais de três décadas sem que um democrata conquiste uma eleição estadual no Texas. O Estado havia votado em Trump em 2024.
Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews derrotou a republicana Darline Graham; o Estado não elegia um democrata para o Senado desde 1998. Outra cadeira republicana mudou de mãos na Carolina do Norte, onde o ex-governador democrata Roy Cooper venceu Michael Whatley, candidato apoiado pelo presidente.
Também foram relatados resultados favoráveis aos democratas em Ohio, com Sherrod Brown derrotando Jon Husted, e no Kansas, onde Adam Hamilton venceu Roger Marshall. Os democratas ainda preservaram cadeiras consideradas importantes na Geórgia, com a reeleição de Jon Ossoff, e em New Hampshire, onde Chris Pappas derrotou o republicano John Sununu, conquistando a vaga deixada pela senadora Jeanne Shaheen.
Antes da votação, os republicanos controlavam o Senado por 53 cadeiras a 47, contadas as posições dos dois independentes alinhados aos democratas. Para conquistar a maioria, a oposição precisava obter um ganho líquido de quatro vagas; a definição sobre o comando da Casa ainda dependia de disputas em apuração.
Pesou nas urnas a insatisfação com a economia: o custo de vida, a inflação e os preços dos combustíveis foram citados como preocupações centrais pelos eleitores. Pesquisa citada durante a apuração mostrou que cerca de três quartos dos entrevistados estavam insatisfeitos ou irritados com os rumos do país, e aproximadamente 70% desejavam maior fiscalização do Congresso sobre o presidente.
A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, também entrou na agenda de críticas e agravou o quadro político, especialmente por impacto nos preços dos combustíveis e na percepção sobre a condução da política externa. Trump tentou mobilizar eleitores com mais de 20 comícios desde o início de outubro, sobretudo em Estados onde havia vencido em 2024, mas a participação direta do presidente não impediu derrotas de candidatos que receberam seu apoio.
Além das bancadas federais, os democratas avançaram em disputas para governos estaduais. Na Geórgia, a ex-prefeita de Atlanta Keisha Lance Bottoms derrotou o republicano Rick Jackson, tornando-se a primeira mulher negra eleita governadora do Estado.


