A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu amplamente na imprensa internacional. Veículos de comunicação de diversos países destacaram a relevância da medida, especialmente considerando que Flávio é pré-candidato à Presidência da República. A expectativa é que essa decisão possa impactar diretamente sua campanha eleitoral, na qual terá como principal adversário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ministro Moraes tomou essa decisão após Flávio publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai, que atualmente cumpre prisão domiciliar. Na justificativa, Moraes entendeu que a divulgação do documento violou as condições impostas ao ex-presidente, que está proibido de utilizar redes sociais, mesmo que indiretamente, por intermédio de terceiros.
Agências internacionais, como a Reuters, destacaram que Flávio Bolsonaro figura entre os principais nomes da disputa presidencial deste ano, ressaltando sua posição nas pesquisas de intenção de voto. A reportagem da Reuters ainda observou que a restrição imposta por Moraes se manterá em vigor durante praticamente toda a campanha do primeiro turno, o que pode ser considerado um revés para a candidatura do senador.
“Flávio e Lula estão tecnicamente empatados no 1º e no 2º turnos, indica Futura/Apex”
A agência Bloomberg também fez ecoar a decisão, discutindo os possíveis reflexos políticos da proibição no cenário eleitoral. O jornal argentino La Nación classificou a decisão como um novo revés para o grupo político que lidera Jair Bolsonaro e ressaltou que essa medida impede o contato entre pai e filho durante boa parte da campanha.
O jornal espanhol El País também comentou o assunto, enfatizando o impacto que a decisão de Moraes pode ter na campanha presidencial. A publicação declarou: “Os próximos dias são cruciais para a definição de alianças nos estados e a finalização da lista de candidatos ao Congresso. Muitas dessas decisões eram tomadas dentro da casa onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos. O fim das conversas entre pai e filho pode acrescentar ainda mais dificuldades à estratégia de campanha.”
Por fim, a reportagem lembrou que Moraes determinou a investigação da divulgação da carta à luz da legislação eleitoral, o que pode trazer desdobramentos adicionais ao caso. No dia 13, o ministro deu um prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro explique se o ex-presidente autorizou a divulgação do documento. Além disso, Moraes enviou a decisão ao Ministério Público Eleitoral para que o órgão tome as providências necessárias.
A defesa de Flávio Bolsonaro já anunciou que recorrerá ao STF para tentar reverter a decisão, alegando que a restrição impõe uma violação aos princípios democráticos.
