CPI do Crime aprovou em 26 de novembro de 2025 convites aos comandantes da Marinha e da Aeronáutica, além da convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, e do ex-deputado fluminense Thiego Silva, o TH Joias, como parte das investigações sobre tráfico de armas, fronteiras e uso de redes sociais para financiar organizações criminosas.
CPI do Crime convoca chefe da Meta, TH Joias e militares
O colegiado do Senado quer ouvir o almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha, e o tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da Aeronáutica. Como se tratam de convites, a presença não é obrigatória, mas considerada estratégica pelo autor dos requerimentos, senador Eduardo Girão (Novo-CE). Para ele, a atuação das Forças Armadas é “fundamental para entender rotas de drogas e armas que atravessam o mar territorial e o espaço aéreo brasileiro”.
Também recebeu convite o general Luiz Gonzaga Viana Filho, responsável pelo Comando Militar da Amazônia. A CPI pretende mapear falhas de fiscalização nas fronteiras terrestres e fluviais da região.
Por sugestão do relator Alessandro Vieira (MDB-SE), foi convocado o diretor-geral da Meta no Brasil. Segundo reportagens internacionais, documentos internos indicam faturamento de cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios que seriam usados para golpes e venda de produtos ilícitos. Vieira afirma que “a empresa tem plena ciência dos riscos e monetiza o problema ao só banir contas quando o algoritmo atinge 95% de certeza de fraude”. A Meta controla Facebook, Instagram e WhatsApp, redes amplamente utilizadas no país.
O relator quer detalhes sobre valores movimentados por perfis irregulares no Brasil e sobre as medidas adotadas pela big tech. A iniciativa reproduz questionamentos de outras comissões parlamentares no exterior, como as audiências recentes nos Estados Unidos, noticiadas pelo portal do Senado Federal.
A CPI também deliberou pela convocação do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Detido preventivamente pela Polícia Federal, ele é investigado por intermediar armas para facções do Rio de Janeiro e por suposta lavagem de dinheiro por meio do comércio de joias. Sua defesa nega participação em crimes.
Além desses nomes, o colegiado convidou o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Souza Oliveira; o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; o secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo; e o presidente do Coaf, Ricardo Saadi. O grupo deverá contribuir para a elaboração de um diagnóstico sobre milícias e facções, com recomendações legislativas e de políticas públicas para conter o avanço do crime organizado.
Instalada após uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 122 mortes, a CPI do Crime quer concluir seus trabalhos ainda no primeiro semestre de 2026. O relatório final poderá propor mudanças na legislação sobre controle de fronteiras, crimes cibernéticos e financiamento de organizações criminosas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
