Os Correios fecharam o 1º semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, alta de 30,4% sobre 2025. No 2º trimestre a perda foi de R$ 2,39 bi (melhora de 24,4%) e a receita subiu 3,8%.
Os Correios acumularam prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pela estatal neste sábado, 29. O resultado representou aumento de 30,4% em relação à perda de R$ 4,26 bilhões registrada no mesmo período de 2025.
No segundo trimestre de 2026, o prejuízo ficou em R$ 2,39 bilhões. Apesar do resultado negativo, houve melhora de 24,4% em relação aos R$ 3,16 bilhões perdidos nos primeiros três meses do ano. Entre o primeiro e o segundo trimestre, a receita líquida cresceu 3,8%, passando de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões.
A empresa vinha executando um plano de reestruturação com o objetivo de reduzir despesas, rever contratos, reorganizar operações e aumentar as receitas. Entre as medidas anunciadas estiveram programas de demissão voluntária e o fechamento de 1.000 pontos, entre agências e unidades de tratamento de carga. O primeiro programa de demissão voluntária resultou na saída de 6,5 mil funcionários.
O atual presidente dos Correios é Emmanoel Schmidt Rondon.
No fim de 2025, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Conforme a estatal, essa operação permitiu regularizar pagamentos de curto prazo e deu mais fôlego ao caixa. O saldo de caixa da empresa encerrou junho em R$ 4,9 bilhões.
Há referências também a uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões com garantia da União que estaria em estágio avançado. Os Correios também negociaram R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics). O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 deverá prever ainda um aporte de R$ 6 bilhões do governo federal nos Correios.
Em nota sobre o desempenho operacional no primeiro semestre, a empresa destacou que os ganhos ainda não foram suficientes para recuperar integralmente o caixa e a situação financeira.
“O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade e execução consistente das medidas de reestruturação”
Os números foram divulgados dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartar a privatização dos Correios e prometer tirar a empresa da crise, durante sabatina. Na ocasião, o presidente atribuiu parte do problema à falta de adaptação da estatal ao mercado de entregas e à concorrência crescente.
“A crise dos Correios é que não se adaptou aos novos tempos”
“Surgiram muitas empresas de fazer entregas e os Correios ficaram na mesmice.”
“Desde 1985, os Correios vivem crise e alguém quer privatizar”
“É uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos os municípios.”
O balanço do primeiro semestre e as medidas de reestruturação seguem como fatores centrais para o futuro financeiro da estatal, que combina reduções de custo, negociações de crédito e aportes previstos para tentar estabilizar as finanças.

