Na reunião de 5 de agosto de 2026, o Comitê reduziu a Selic em 0,25 p.p., deixando-a em 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo; o BC manteve em aberto a possibilidade de novo ajuste em setembro.
No dia 5 de agosto de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando a ser de 14% ao ano. Em seu comunicado, o Copom deixou em aberto a possibilidade de um novo corte na próxima reunião, marcada para setembro, embora não tenha se comprometido com essa decisão.
A análise de economistas e especialistas do mercado, realizada logo após o anúncio, aponta que esta foi a quarta redução consecutiva da Selic. O corte é considerado uma medida importante, uma vez que a taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelos bancos centrais para controlar a inflação e regular a economia.
Normalmente, quando o Copom decide aumentar os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, que pode refletir nos preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, além de estimular a atividade econômica.
De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o comunicado do Copom apresentou uma mudança no tom, passando de uma aceleração para uma moderação gradual da atividade econômica, que ainda é vista como resiliente. Kayo destacou que a inflação corrente está desacelerando, embora ainda permaneça acima do teto da meta estabelecida, e que as expectativas em relação à política monetária em economias avançadas também foram mencionadas.
No balanço de riscos, o comunicado fez referência explícita à assimetria altista, um ponto já sinalizado na ata anterior do Copom, e mencionou a desancoragem das expectativas de longo prazo, um fator que pode elevar o custo de desinflação.
Outro especialista, Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, comentou que, embora o reconhecimento do BC sobre a desaceleração da inflação e da atividade econômica seja positivo, ainda existem preocupações relevantes com as expectativas de inflação e os riscos fiscais.
Spyer também observou que o comunicado pareceu menos aberto a cortes futuros, enfatizando que as decisões serão baseadas na evolução dos dados.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, destacou que o comunicado foi mais claro em relação à moderação da atividade econômica e à preocupação com as expectativas de inflação, que continuam desancoradas.
Camargo ressaltou que a magnitude dos cortes futuros dependerá da evolução dos dados, indicando que os próximos passos da política monetária ainda estão indefinidos.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, apontou que o comunicado também sugere espaço para mais cortes, mas sem um comprometimento claro. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, comentou que a decisão reflete um equilíbrio entre sinais favoráveis na inflação e riscos relevantes à frente.
O comunicado destacou também a persistência da inflação de serviços, os riscos associados à política fiscal e a possibilidade de estímulos ao consumo que podem reduzir a eficácia da política monetária.
Para Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, a probabilidade de um novo corte em setembro existe, mas é considerada menor em comparação ao que foi observado em agosto. A comunicação atual do BC sugere que as portas permanecem abertas, mas com cautela.
