O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 p.p., de 14% para 13,75%. Na Ata do Copom, o BC cita desaceleração da inflação e atividade, mas destaca riscos — a tensão EUA-Irã e alta do petróleo — que travam cortes maiores.
O Banco Central divulgou a Ata do Copom, documento que detalha os motivos da decisão de política monetária. No texto, o Copom justificou a redução de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, passando de 14% a.a. para 13,75% a.a., citando a desaceleração da inflação corrente e o comportamento do nível de atividade econômica.
O documento também explica por que a queda da Selic não foi maior: há uma série de fatores de risco que limitam reduções mais expressivas. Entre eles está a incerteza geopolítica. A guerra entre EUA e Irã eleva o preço do petróleo, com impactos ao longo da cadeia de produção, sobretudo no setor de transportes, e pressiona custos em escala global.
Segundo a Ata, a elevação do risco de inflação mundial tende a aumentar as taxas de juros em diversos países, inclusive nos EUA. Juros mais altos nos EUA pressionam a demanda por dólar, levando a uma desvalorização do real. A alta do dólar no Brasil tem efeito inflacionário, já que vários insumos e componentes do processo produtivo são cotados na moeda americana.
Outro ponto destacado pelo Copom é a resiliência do mercado de trabalho. Um mercado de trabalho aquecido mantém pressões sobre o consumo, o que pode contribuir para elevação do nível de preços e, por consequência, limitar o espaço para cortes mais rápidos na taxa básica.
A Ata aponta ainda que a política fiscal expansionista do governo funciona como variável impeditiva para redução mais forte da Selic. A pressão de gastos públicos que aumenta a demanda agregada acima da capacidade de oferta e o uso de crédito subsidiado, operando com taxas muito abaixo da Selic, reduzem a eficácia da política monetária.
Para os próximos meses, há um risco adicional ligado ao clima: o fenômeno climático do El Niño poderá trazer inflação de alimentos, segundo o documento. Esse risco climático soma-se às incertezas externas e domésticas e complica a avaliação do Comitê sobre o ritmo ideal de ajuste da taxa de juros.
Apesar desses riscos, o texto informa que a maioria do mercado acredita em mais uma queda da Selic. Ainda assim, a Ata ressalta que a decisão mais segura seria a manutenção da taxa diante dos riscos inflacionários citados.
