Contagem de votos em Honduras é retomada sob pressão de Trump
Contagem de votos em Honduras é retomada sob pressão de Trump foi a cena que marcou o reinício da apuração manual da eleição presidencial hondurenha, em 8 de dezembro, após três dias de paralisação provocada por alegações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Interferência de Trump gera tensão no processo eleitoral
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) suspendera a soma dos votos quando Trump sugeriu, sem apresentar provas, que o órgão hondurenho tentava “alterar” o resultado. Em mensagem publicada em rede social, o republicano ameaçou “consequências terríveis” caso houvesse suposta fraude, pressionando diretamente a autoridade eleitoral.
A presidente do CNE, Ana Paula Hall, informou que uma auditoria externa revisou os procedimentos antes da reabertura das planilhas de apuração. “Os dados estão novamente sendo atualizados e publicados em tempo real”, declarou Hall ao confirmar o retorno dos trabalhos.
Disputa permanece acirrada com diferença de 19 mil votos
Com cerca de 88 % das urnas conferidas, o candidato do Partido Nacional, Nasry Tito Asfura, apoiado por Trump, lidera com 40,2 % dos sufrágios. Logo atrás aparece Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 39,51 %. A vantagem, de aproximadamente 19 mil votos, mantém o pleito indefinido, já que Honduras não realiza segundo turno.
Em terceiro lugar figura a candidata do governo, Rixi Moncada (Libre), que soma 19,28 % dos votos. O partido de Moncada, comandado pela presidente Xiomara Castro, pediu a anulação completa do pleito, argumentando que a ingerência de Trump comprometeu a lisura do processo.
Indulto a ex-presidente agrava críticas
No auge da campanha, Trump concedeu perdão judicial ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado em Nova York, em 2024, a 45 anos de prisão por narcotráfico. Hernández pertence ao mesmo Partido Nacional de Asfura, e o gesto foi interpretado pelo Libre como moeda de troca para favorecer o aliado conservador.
Em nota, a legenda governista acusou “oligarquias aliadas” de disseminar milhões de mensagens nas redes sociais advertindo que, sem voto em Asfura, imigrantes hondurenhos perderiam o envio de remessas a familiares.
Contexto geopolítico e o “quintal” norte-americano
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, a postura de Trump visa manter a influência dos Estados Unidos na América Central e conter o avanço econômico da China. Segundo ele, o Partido Nacional “alinha-se à agenda conservadora de Washington, especialmente nas políticas migratórias”.
Reportagem da agência Reuters destaca que a interferência norte-americana não é novidade na região, mas o episódio atual chamou atenção pela intensidade das declarações públicas do ex-presidente.
Apesar das críticas, o CNE manteve o cronograma e prevê divulgar o resultado final quando 100 % das urnas forem validadas pela auditoria externa. Hall reforçou que o órgão “não tolerará qualquer tentativa de pressão estrangeira” e que o processo “permanece sob soberania hondurenha”.
Para continuar acompanhado a evolução da apuração e outros temas da região, visite nossa editoria Internacional.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
