Augusto Melo foi banido do quadro de sócios com 147 votos a favor e apenas 5 contra. A punição veio após invasão ao Parque São Jorge e manobra para retomar o poder.
Augusto Melo, ex-presidente do Corinthians, foi expulso do quadro associativo do clube em uma votação realizada pelo Conselho Deliberativo nesta segunda-feira, 1º de junho. A decisão foi aprovada com 147 votos a favor e apenas 5 contra, após Melo ser julgado internamente por tentativa de golpe, devido à sua invasão ao Parque São Jorge e sua manobra política para retomar o poder enquanto estava afastado do cargo.
Ainda antes da decisão, Augusto divulgou uma nota oficial onde afirmou ter recebido ligações que o aconselharam a renunciar, o que ele decidiu descartar. Em sua defesa, ele reiterou que não houve invasão e que não existem provas para as acusações que enfrenta. “Tenho sido alvo de acusações graves, incluindo a alegação de uma suposta tentativa de golpe, que não provam nada e que já foi arquivada pela polícia. Sempre respeitei a democracia, o estatuto do clube e suas instituições. Confio que a verdade prevalece e que os fatos falam por si”, afirmou Melo.
Na última semana, outros dois ex-presidentes do Corinthians também deixaram de ser sócios do clube. Andrés Sanchez foi expulso no dia 25 de maio, após investigações que indicaram gastos pessoais de R$ 480.169,60 em seu cartão corporativo. Duilio Monteiro Alves, que estava sob investigação por uso indevido de recursos, publicou uma carta aberta renunciando ao título de sócio remido e se retirando do quadro de sócios de forma definitiva.
Nesta segunda-feira, torcedores se reuniram em frente ao Parque São Jorge para manifestarem apoio à exclusão de Melo, com gritos como “Augusto picareta”. No entanto, a mobilização foi menor em comparação àquela registrada durante a votação da expulsão de Andrés. Melo não esteve presente na reunião e sua defesa foi conduzida por seu advogado, Ricardo Jorge.
Augusto Melo foi destituído do cargo em 9 de agosto de 2025, após a aprovação do impeachment em Assembleia Geral dos sócios do clube. Ele é acusado de participar de um esquema de desvio de valores do contrato com a patrocinadora Vai de Bet, e por isso enfrenta processos por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado.
Seu afastamento se deu após uma manobra para tentar retomar o poder, o que foi um dos motivos para sua expulsão. Maria Ocampos, vice-presidente do Conselho, se autodeclarou presidente do órgão ao apresentar um documento que afirmava que o então presidente Romeu Tuma Jr. estava afastado. Entretanto, o ofício foi considerado inválido por não ter seguido os trâmites necessários.
O caso da Vai de Bet surgiu durante as eleições de 2023, quando Melo se apresentou como uma alternativa ao grupo que dominava o clube há 16 anos. A situação se agravou em maio de 2024, quando denúncias sobre o contrato de R$ 360 milhões foram trazidas à tona. A empresa de apostas rescindiu o contrato unilateralmente, e investigações apontaram a utilização de empresas fantasmas para desviar valores.
