Combate à dengue guia primeira ação de coalizão global do G20 O Ministério da Saúde informou, em 24 de março, que o enfrentamento da dengue será a prioridade inicial da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, articulada pela presidência brasileira do G20.
Combate à dengue guia primeira ação de coalizão global do G20
Lançada durante a liderança brasileira do G20 em 2024, a nova coalizão tem a missão de ampliar o acesso mundial a medicamentos, vacinas, diagnósticos e tecnologias de saúde, com atenção especial a nações em desenvolvimento. Além do Brasil, integram o grupo África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a escolha da dengue como foco imediato se deve ao caráter endêmico da doença em mais de 100 países, expondo a risco cerca de metade da população mundial. Estimativas apontam de 100 milhões a 400 milhões de infecções anuais. O avanço é impulsionado pelas mudanças climáticas, que elevam temperaturas, volume de chuvas e níveis de umidade — cenário que também favorece outras arboviroses, como zika e chikungunya.
Para exemplificar parcerias já em curso, Padilha citou a vacina Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Por meio de acordo fechado no fim de 2025 com a empresa chinesa WuXi, a capacidade de fornecimento deve alcançar 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ficará responsável pelo secretariado executivo da coalizão. Segundo o presidente da instituição, Mario Moreira, a entidade acumula experiência em projetos de cooperação estruturante com países da África e da América Latina, fomentando ciência, tecnologia e, em alguns casos, produção industrial local.
Além do esforço contra a dengue, o ministério anunciou a produção 100% nacional do imunossupressor Tacrolimo, essencial para evitar rejeição em transplantes. Cerca de 120 mil pacientes recebem o medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cujo custo mensal varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Com a transferência tecnológica firmada com a Índia, Padilha destaca que o fornecimento ficará protegido de eventuais crises globais.
Outra iniciativa divulgada foi a criação de um centro de competência em vacinas de RNA mensageiro (mRNA) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto receberá R$ 65 milhões em investimentos federais, somando-se às plataformas em desenvolvimento na Fiocruz e no Butantan, que já contam com R$ 150 milhões. A meta é preparar o país para responder rapidamente a futuras pandemias.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, a dengue registrou aumento constante de casos nas últimas décadas, reforçando a urgência de estratégias globais de prevenção e tratamento.
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Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
