Tribunal da CBF confirmou débito de R$ 18.616.377,46 pela ida de Joaquim ao clube paulista e pela revenda ao Tigres. O Cuiabá diz que a última parcela venceu em janeiro e recebeu só uma das cinco.
O Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta quarta-feira (23) por conta de uma dívida de R$ 18.616.377,46 com o Cuiabá. O montante se refere à ida do zagueiro Joaquim, do clube mato-grossense ao time alvinegro em 2023, e à revenda do atleta para o Tigres, do México, onde atua até hoje.
Segundo o Cuiabá, a última parcela da negociação venceu em janeiro do ano passado. O clube afirma ainda que abriu mão de parte relevante do que tinha a receber, mas que o Santos apenas efetuou o pagamento de uma das novas cinco prestações acordadas.
“Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos”
O trecho acima foi publicado em comunicado do Cuiabá nas redes sociais, no qual o clube também cobrou débitos de outros times do futebol brasileiro, citando Corinthians, Grêmio e Sport.
“Se o Corinthians estivesse ameaçado de perder três pontos na tabela, esse dinheiro já tinha saído de algum lugar. O Santos e o Vasco, que também deram um calote gigantesco, vão permanecer na Série A esse ano através de um estelionato esportivo”
Essa declaração foi atribuída a Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, em menção às decisões e à expectativa de pagamento por parte dos clubes citados.
Sobre a situação relativa ao Corinthians, o Cuiabá afirmou que a parcela de julho da venda do volante Raniele, negócio que já entrou no plano coletivo da CNRD, está vencida. A menção reforça que o caso da transferência de Joaquim integra um contexto mais amplo de pendências financeiras entre clubes.
“A exposição pública do caso não contribui para a sua solução, uma vez que não altera os trâmites legais a serem adotados. O Santos FC entende que a preservação das relações institucionais entre as agremiações é fundamental para a construção de soluções verdadeiramente sustentáveis para o futebol brasileiro”
Essa foi a resposta divulgada em comunicado oficial pelo Santos, que criticou a divulgação pública do assunto e ressaltou a necessidade de seguir procedimentos legais para a solução de litígios.
O caso ganha relevância diante do balanço financeiro apresentado pelo Santos: conforme parecer do Conselho Fiscal do clube, o time fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit acumulado de R$ 119,7 milhões e dívida total de R$ 1,24 bilhão até junho. O balancete aponta receitas de R$ 126,4 milhões — acima das estimadas R$ 91,4 milhões —, mas custos que superaram a previsão de R$ 108 milhões, alcançando R$ 165 milhões.
