A Copa do Mundo de 2026 está prestes a acontecer, mas as cidades sedes nos Estados Unidos já enfrentam um desafio financeiro significativo. O modelo de negócios imposto pelos organizadores do torneio pode resultar em prejuízos para os municípios, que precisam arcar com todos os custos operacionais enquanto a FIFA captura as principais fontes de receita.
As prefeituras americanas terão que lidar com despesas massivas, incluindo segurança pública, adaptação de infraestrutura e logística de transporte. Estima-se que o rombo coletivo para as 11 sedes seja superior a US$ 250 milhões. A situação é preocupante, especialmente em um momento em que a segurança dos torcedores é a prioridade máxima.
Uma das principais razões para essa problemática é o modelo descentralizado adotado para o Mundial de 2026. Diferente de edições anteriores, onde um comitê organizador centralizava as despesas e riscos, agora cada cidade assinou acordos individuais com a FIFA, assumindo toda a responsabilidade legal e financeira. Esse novo arranjo tem gerado preocupações sobre a viabilidade financeira das cidades.
“Não podemos permitir que nossas contas públicas sejam comprometidas sem garantias de retorno”, afirmou um representante de uma das cidades sedes.
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A FIFA, por sua vez, implementou um novo programa de apoiadores que limita a capacidade de arrecadação das prefeituras. As cidades estão proibidas de vender assentos premium ou estabelecer parcerias que possam conflitar com os patrocinadores globais do torneio. Como resultado, o fluxo de turistas que se espera durante o evento não será totalmente explorado pelas administrações locais.
Os principais custos que pressionam as contas públicas incluem:
- Segurança: O custo para garantir a integridade de milhões de torcedores é elevado. O governo federal prometeu repassar US$ 625 milhões para ajudar, mas atrasos devido a disputas políticas têm dificultado a liberação desses fundos, forçando cidades como Kansas City a comprometer seus próprios orçamentos.
- Exclusividade comercial: As cidades não podem explorar comercialmente os espaços ao redor dos estádios, perdendo oportunidades lucrativas. Por exemplo, na Filadélfia, um acordo com uma rede de lojas foi bloqueado pela FIFA por considerar que a marca concorria com um patrocinador oficial.
- Custos das Fan Fests: As festas públicas, com telões gigantes, são exigências contratuais, mas o financiamento vem dos cofres municipais, o que representa um grande desafio financeiro.
Além disso, cidades como Chicago e Minneapolis decidiram não participar do processo de seleção das sedes em 2018, temendo os riscos financeiros envolvidos. O prefeito de Chicago, na época, declarou que a cidade não daria um cheque em branco, e essa decisão se mostrou acertada à luz dos altos custos que estão sendo impostos às cidades sedes.
No final, embora a promessa de visibilidade global seja atraente, o custo financeiro das cidades sedes pode ser insustentável, deixando um legado de dívidas que os moradores terão que lidar muito tempo após o término do evento.
