O criminalista Cezar Bittencourt se reuniu com o banqueiro para traçar nova estratégia jurídica. A Polícia Federal negou a última proposta de delação de Vorcaro, elevando a pressão sobre o caso.
O advogado Cezar Bittencourt, conhecido por sua atuação na delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, assumiu oficialmente a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A mudança ocorre em um momento crítico para Vorcaro, que tem enfrentado desafios legais significativos.
Cezar Bittencourt já se reuniu com o banqueiro para delinear a nova estratégia jurídica que será adotada em sua defesa. Recentemente, a Polícia Federal rejeitou a nova proposta de delação apresentada por Vorcaro, o que intensifica a pressão sobre sua situação legal.
A proposta de delação foi alterada pelo banqueiro, que revisou sua versão sobre a relação que mantinha com o senador Ciro Nogueira e com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Agora, Vorcaro passou a adotar uma perspectiva que classifica os episódios investigados como casos de propina, abandonando a narrativa anterior que descrevia tais interações apenas como amizades.
A Jovem Pan já havia previsto que a nova proposta de delação não seria aprovada, visto que os investigadores consideraram insuficiente a alegação de que Vorcaro pagava propina ao senador Ciro Nogueira.
Em 20 de maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia rejeitado uma primeira proposta de delação apresentada por Vorcaro. A PGR ainda analisa as duas delações que foram submetidas até o momento.
Para entender o contexto do caso Master, é importante destacar que, após a identificação de indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de várias instituições financeiras, incluindo o Banco Master S/A e o Banco Master de Investimentos S/A.
No dia 21 de janeiro, o Will Bank, que é a vertente digital do Banco Master, teve seu encerramento forçado. O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero, que também resultou na deflagração de ações pela Polícia Federal para combater a emissão de títulos de crédito falsos.
Com o risco de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes da operação, mas foi liberado posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, ele voltou a ser detido em 4 de março. As investigações revelaram que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidades muito acima do mercado, o que levou a instituição a assumir riscos excessivos e a inflar artificialmente seu balanço financeiro.
Os acontecimentos envolvendo o Banco Master e a gestora de investimentos Reag, que foi liquidada em 15 de janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Além das fraudes, o caso gerou tensões entre instituições como o STF, o Tribunal de Contas da União, o Banco Central e a Polícia Federal.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, do Banco Master de Investimentos e do Banco Letsbank, com um total de R$ 40,6 bilhões a serem pagos em garantias.
