O julgamento chegou ao 8º dia nesta segunda-feira (1º), superando o caso Flordelis. Réus são Dr. Jairinho e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino de 4 anos.
O julgamento do caso de Henry Borel, realizado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, completou seu oitavo dia na última segunda-feira, 1º de junho de 2026. Com isso, essa sessão se torna a mais longa do Tribunal do Júri do estado, superando o caso da deputada federal cassada Flordelis, que foi condenada em 2022 pelo assassinato do ex-marido, o pastor Anderson do Carmo.
No banco dos réus estão Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, ambos acusados pela morte do filho de Monique, Henry Borel, que tinha apenas 4 anos e faleceu em março de 2021. Na época do crime, Jairinho ocupava o cargo de vereador e era padrasto de Henry. A acusação do Ministério Público sustenta que a criança morreu em decorrência de agressões cometidas por Jairinho, enquanto Monique teria falhado em proteger o filho.
Durante a sessão, o perito do Instituto Médico Legal (IML), Leonardo Huber Tauil, foi chamado a depor. Ele é o responsável pelo laudo cadavérico do menino e reafirmou que a causa da morte foi uma “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”. O perito, que é o 21º a ser ouvido pelos jurados, também mencionou que ao vistoriar o apartamento onde Henry teria sido agredido, não encontrou nenhum móvel que pudesse ter causado a lesão fatal.
A defesa de Jairinho levantou questionamentos sobre o laudo, incluindo erros em informações sobre o hospital de origem do corpo e a cor dos olhos de Henry, que eram castanhos, ao contrário do que foi afirmado inicialmente. Tauil atribuiu essas discrepâncias a lapsos.
As imagens do corpo de Henry foram mostradas durante o depoimento, levando Monique a deixar o plenário. Essa não foi a primeira vez que ela se retirou da sala, tendo feito o mesmo em uma sessão anterior quando outro perito, Luiz Carlos Leal Prestes, também apresentou imagens do menino.
Desde a última segunda-feira, 25 de maio, diversas testemunhas foram ouvidas, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, que atua como testemunha contra Monique e Jairinho. Ele acredita que Monique também é responsável pela morte do menino. Além disso, ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram agressões que o ex-vereador teria cometido em relação a crianças no passado.
A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, foi uma das testemunhas mais aguardadas. Ela confirmou ter alertado Monique sobre suas suspeitas de agressões por parte de Jairinho e alegou que após a morte de Henry, foi orientada a apagar mensagens trocadas entre elas.
O julgamento deve contar com a presença de 27 testemunhas, das quais quatro já foram liberadas. A defesa de Jairinho optou por dispensar algumas testemunhas, incluindo um psiquiatra e uma assessora. O pai de Jairinho, Coronel Jairo, também foi ouvido.
A expectativa é que os depoimentos das testemunhas sejam concluídos na segunda-feira, 2 de junho, com os réus sendo ouvidos na sequência. A defesa de Jairinho conseguiu que ele fosse chamado a depor após Monique, o que, segundo seus advogados, é crucial para a defesa. A defesa de Monique afirmou que ela está pronta para depor a qualquer momento.
Os advogados devem apresentar suas defesas na quarta-feira, 3 de junho, e a sentença é aguardada entre quarta e quinta-feira, data que coincide com o feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.
O júri é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro e conta com um Conselho de Sentença formado por sete jurados, que são mantidos em regime de vigilância durante todo o julgamento. Eles não podem conversar entre si ou com terceiros sobre o caso e são afastados de redes sociais e noticiários.
