Caso Banco Master: Alckmin denuncia factoide do clã Bolsonaro foi a expressão utilizada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin ao comentar, em 29 de maio, a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, a família Bolsonaro teria lançado o tema para desviar a atenção das suspeitas de corrupção e sonegação envolvendo o Banco Master.
Caso Banco Master: Alckmin denuncia factoide do clã Bolsonaro
Durante agenda em Caraguatatuba, litoral paulista, o vice-presidente afirmou que “integrantes do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país” e que a nova designação norte-americana “não resolve nada no combate ao crime, além de potencialmente prejudicar a economia brasileira”.
O pronunciamento ocorreu um dia após o Departamento de Estado dos EUA formalizar, em 28 de maio, a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. A decisão coincidiu com reunião, em 26 de maio, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Washington. Na véspera, Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro haviam visitado o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca.
Alckmin relacionou a ofensiva internacional ao caso Banco Master. Reportagem do portal The Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio Bolsonaro pede a Daniel Vorcaro, controlador do banco, recursos para custear parte da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo o veículo, o empresário teria prometido R$ 134 milhões, dos quais ao menos R$ 61 milhões já teriam sido liberados.
Para o vice-presidente, a repercussão negativa desses áudios impulsionou o grupo político aliado ao ex-mandatário a buscar novo assunto de alcance internacional. “É mais um factoide para abafar o maior caso de corrupção e sonegação fiscal envolvendo o Banco Master”, disse.
Riscos diplomáticos e econômicos
Especialistas em relações internacionais alertam que a rotulagem de facções brasileiras como terroristas pode abrir precedentes para ações militares dos EUA na América do Sul, repetindo operações recentes no Caribe e na Venezuela. Alckmin ressaltou que tal escalada “cria insegurança jurídica” e poderia afetar investimentos estrangeiros.
Contexto da política externa norte-americana
O segundo mandato de Donald Trump tem redirecionado a diplomacia estadunidense para confrontar o chamado “narcoterrorismo” na região. Nos últimos meses, a Marinha dos EUA realizou bombardeios contra embarcações suspeitas fora de sua jurisdição e apoiou a invasão ao território venezuelano que depôs Nicolás Maduro. Para analistas, enquadrar PCC e CV na mesma lógica amplia o raio de ação militar sem consulta a autoridades locais.
Em síntese, Alckmin sustenta que a medida norte-americana serve de “cortina de fumaça” para blindar o clã Bolsonaro diante das denúncias ligadas ao caso Banco Master, enquanto amplia tensões internacionais e incertezas econômicas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
