Cármen Lúcia STF — A ministra do Supremo Tribunal Federal revelou que parentes a orientam a abandonar o cargo devido às ofensas machistas que recebe diariamente, fato exposto durante palestra promovida pelo Instituto FHC, em São Paulo, em 13 de abril de 2026.
Pressão familiar diante de discurso de ódio
Única mulher na Corte, Cármen Lúcia afirmou que as agressões não se limitam a críticas institucionais, mas incluem expressões sexistas e “desmoralizantes”. Segundo ela, as mensagens têm levado familiares a sugerir sua saída do tribunal. “Todo mundo da família fala: ‘Cármen, sai disso, você já fez o que tinha de fazer’”, relatou.
A magistrada destacou que a hostilidade afeta não apenas o exercício de suas funções, mas também a disposição de futuros indicados a aceitarem uma cadeira no STF. “Algumas pessoas não vão querer ir, porque a família não quer que a gente fique”, comentou, salientando que o problema pode restringir o ingresso de novos quadros qualificados.
Momento de tensão e defesa da transparência
Cármen Lúcia reconheceu que o Supremo atravessa um “momento de tensão”, com questionamentos constantes da sociedade. Ela, contudo, assegurou que sua atuação se mantém estritamente dentro da lei. “Já votei contra o meu próprio pai no caso dos poupadores”, recordou, ao defender que não há decisões suas que desrespeitem o ordenamento jurídico.
A ministra também mencionou as ameaças recebidas pelos integrantes da Corte, apontando que episódios recentes — como a comunicação sobre um artefato explosivo — elevam a necessidade de proteção institucional. De acordo com relatório divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, mensagens de ódio contra magistrados cresceram nos últimos anos.
Impacto para futuras nomeações
Para Cármen Lúcia, o ambiente hostil pode desestimular candidaturas femininas e, consequentemente, comprometer a representatividade no Judiciário. “Para nós, mulheres, a dificuldade é enorme”, ressaltou, lembrando que permanece a única ministra desde 2011.
Apesar das pressões, ela não sinalizou intenção de deixar o tribunal antes da aposentadoria compulsória. Ao encerrar a palestra, reafirmou compromisso com a transparência e convocou a sociedade a acompanhar o trabalho dos ministros “pelos autos, não pelas redes”.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
