Campos Neto se ausenta da CPI do Crime Organizado pela terceira vez, fato que reforça o impasse entre o ex-presidente do Banco Central e os senadores que investigam a atuação de facções criminosas no país.
Campos Neto se ausenta da CPI do Crime Organizado pela terceira vez
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada no Senado para apurar a expansão de facções, registrou a terceira ausência consecutiva de Roberto Campos Neto em 8 de abril de 2026. Convocado como testemunha qualificada devido ao conhecimento técnico adquirido durante sua gestão no Banco Central entre 2019 e 2024, o economista foi representado por advogados que alegaram possível violação a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) caso ele fosse obrigado a depor.
O impasse começou em 3 de março, quando o ministro André Mendonça, do STF, converteu a convocação inicial em convite, tornando facultativa a presença do ex-presidente do BC. Mesmo após novo convite para a sessão de 31 de março, Campos Neto manteve a recusa. Diante disso, o colegiado aprovou nova convocação, que, segundo o regimento interno, torna o comparecimento obrigatório.
Na sessão em que se esperava ouvir Campos Neto, os parlamentares colheram o depoimento de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, a respeito de movimentações financeiras que possam favorecer grupos criminosos. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que o economista “tem condições de contribuir de forma relevante” e estuda, junto aos demais membros, providências legais para assegurar o testemunho.
A CPI precisa agir com rapidez: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não prorrogar os trabalhos, mantendo o encerramento para 14 de abril. Entre as medidas avaliadas está o encaminhamento de nova representação ao STF ou a solicitação de condução coercitiva, recurso pouco utilizado desde mudanças na legislação.
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Especialistas recordam que a obrigatoriedade de comparecimento em CPIs está prevista na Constituição, mas pode ser relativizada por decisões judiciais, como a mencionada pelos defensores de Campos Neto. Em nota, o Banco Central não comentou o episódio. Já o STF informa, em seu portal institucional, que a determinação de Mendonça segue válida (fonte oficial).
Enquanto senadores avaliam próximos passos, o prazo exíguo reforça o caráter decisivo das próximas sessões. Se nenhuma medida for adotada a tempo, a comissão corre o risco de encerrar os trabalhos sem ouvir um dos principais nomes de interesse na investigação.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
