A campanha apresentou ao TSE uma petição com levantamento que indica 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. Alega atuação coordenada para promover conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro.
A campanha do ex-presidente Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar uma estratégia digital adotada por perfis que publicaram conteúdos em colaboração com Flávio Bolsonaro. A iniciativa judicial foi motivada por um levantamento feito pela equipe de campanha e formalizado em petição dirigida ao tribunal.
Na ação, a equipe de monitoramento da campanha petista identificou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. Segundo a peça apresentada ao TSE, esse conjunto de publicações indicaria atuação coordenada que teria por objetivo promover conteúdos vinculados à candidatura e potencialmente explorar canais comerciais ligados a essa circulação digital.
A coligação alegou possível uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico e pediu preservação dos registros e identificação dos responsáveis. A petição solicitou, ainda, a preservação de registros por parte de plataformas digitais e marketplaces, citando especificamente Meta e Shopee.
No pedido encaminhado ao tribunal, a campanha requereu a identificação dos responsáveis pelos perfis apontados na investigação preliminar e a suspensão de links de venda que, segundo a petição, direcionavam usuários a produtos relacionados à candidatura. A ação sustenta que parte das páginas envolvidas teria estabelecido um fluxo que integrava promoção política e comercialização de itens associados ao conteúdo pró-candidatura.
O documento entregue ao TSE traz a argumentação de que a convergência entre perfis, publicações e canais de venda pode configurar violação de regras eleitorais sobre publicidade e igualdade de condições na disputa. A peça pediu medidas cautelares para garantir a preservação de provas enquanto o tribunal avalia o pedido.
O movimento da campanha insere-se em um contexto maior de atenção das campanhas e da Justiça Eleitoral sobre o uso de redes sociais e ferramentas comerciais em período de eleição. A petição descreve o volume de postagens e o padrão de coautoria como elementos centrais para justificar a requisição de acesso a registros e a apuração das responsabilidades.
Não há, no texto da ação, pedido de penalidade específica além das medidas provisórias de preservação e identificação; o foco formal da petição foi assegurar que os dados e registros fiquem disponíveis para eventual investigação posterior e para a tomada de decisões pelo TSE.
