O Banco de Brasília (BRB) anunciou mudanças significativas em seu processo de aumento de capital, permitindo agora aportes parciais de recursos. Essa nova abordagem permitirá homologações intermediárias de recursos internalizados até o montante de R$ 8,8 bilhões, aguardando a autorização do Banco Central.
“Esse modelo permite que os recursos aportados passem a produzir efeitos no capital do banco de forma gradual, sem prejuízo das etapas remanescentes”, destacou a instituição em nota divulgada na última quarta-feira, 27 de maio.
Antes, o BRB precisava aguardar a finalização de todo o processo de captação para obter a aprovação final do Banco Central. Em abril, os acionistas do banco, cujo principal acionista é o governo do Distrito Federal (GDF), que possui 53,7% das ações, aprovaram a proposta de aumento de capital, que pode chegar até R$ 8,81 bilhões. Cada ação será emitida por R$ 5,36 no mercado, sendo destinada à subscrição privada.
Essa mudança é esperada para aumentar o capital social do banco, que atualmente é de R$ 2,344 bilhões, podendo ser elevado para um mínimo de R$ 2,88 bilhões e um máximo de R$ 11,16 bilhões.
Outra alteração importante anunciada pelo BRB foi a prorrogação do prazo para compra de novas ações aos acionistas. “Com o objetivo de preservar o direito de todos os acionistas, independentemente de exercerem ou não o direito de preferência, o prazo de exercício foi prorrogado até 3 de junho”, informou a instituição.
O BRB, criado em 1964, enfrenta uma crise institucional sem precedentes. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, revelando um esquema de fraudes financeiras que resultou em um prejuízo bilionário para o banco, decorrente da aquisição de ativos problemáticos do Banco Master.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, está preso desde março deste ano, investigado por fraudes financeiras. A investigação também levou ao afastamento e prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de receber propina para facilitar o negócio.
Atualmente, o tamanho do prejuízo do BRB ainda é incerto, já que o banco não entregou suas atualizações contábeis obrigatórias ao Banco Central, com prazo que expirou em 31 de março. As estimativas apontam que o prejuízo pode ultrapassar R$ 10 bilhões.
Em resposta à crise, o governo do Distrito Federal entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pleiteando a obrigatoriedade do governo federal em socorrer o BRB. O ministro Luiz Fux é o relator do caso. Nesta manhã, a governadora Celina Leão e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participaram de uma audiência sobre o tema.
Na ação, o governo busca autorização para R$ 6,6 bilhões em empréstimos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), pedindo ao STF que o Tesouro Nacional revise a nota de crédito do GDF para permitir a operação. O aumento de capital e a recomposição das contas do BRB são essenciais para que o banco se adeque às exigências do Banco Central e continue operando após as fraudes reveladas.
Na última terça-feira, 26 de maio, após uma audiência de conciliação no STF, Durigan afirmou que o governo distrital deverá oferecer contragarantias ao empréstimo. Caso o GDF falhe em algum pagamento, haverá descontos nos repasses dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM), que são enviados mensalmente pela União.
