Desde os anos 1980, pilotos do país brilharam em ovais, ruas e circuitos mistos nos EUA. Conquistaram títulos, fãs e ajudaram a moldar uma era inesquecível no automobilismo norte-americano.
A presença do Brasil no automobilismo norte-americano foi marcada por décadas de protagonismo, vitórias e uma legião de fãs. Embora a Fórmula 1 tenha sido o primeiro grande palco internacional para muitos brasileiros, foram as competições nos Estados Unidos que permitiram a alguns pilotos mostrar versatilidade e assumir papel de destaque em ovais, circuitos mistos e ruas.
História e pioneirismo
A participação brasileira na IndyCar, em suas várias nomenclaturas (CART, Champ Car, IRL), transformou-se a partir da década de 1980. Antes disso, intervenções eram esporádicas, mas a chegada de um bicampeão mundial de Fórmula 1 mudou a percepção sobre o talento brasileiro na categoria.
Principais trajetórias
Emerson Fittipaldi
Emerson Fittipaldi migrou da Fórmula 1 para a CART em 1984. Sua adaptação aos ovais e aos carros mais pesados foi notável. Em 1989, correndo pela Patrick Racing, conquistou o título da CART e venceu as 500 Milhas de Indianápolis no mesmo ano. Ao longo da carreira na categoria, acumulou 22 vitórias e foi duas vezes vencedor da Indy 500 (1989 e 1993).
Gil de Ferran
Na virada do milênio, Gil de Ferran destacou-se pela precisão e conhecimento técnico, correndo pela Penske. Conquistou títulos consecutivos na CART em 2000 e 2001 e venceu a Indy 500 em 2003. Entre seus feitos, registrou a volta mais rápida da história em circuito fechado, em Fontana, com média de 241.428 mph (388.54 km/h).
Tony Kanaan
Tony Kanaan brilhou na IRL, competindo pela Andretti Green Racing. Em 2004, realizou uma temporada de excepcional regularidade, completando todas as voltas de todas as corridas e conquistando o título. Venceu a Indy 500 em 2013 e acumulou 17 vitórias na carreira, além de detém o recorde de 318 largadas consecutivas.
Cristiano da Matta e outros protagonistas
Cristiano da Matta dominou a CART em 2002 pela Newman/Haas, com 7 vitórias naquela temporada, e encerrou o ano como campeão da categoria. Hélio Castroneves foi destacado nas 500 Milhas de Indianápolis, com quatro vitórias na prova, embora estatisticamente nunca tenha vencido o campeonato de temporada, terminando diversas vezes como vice-campeão.
Dinâmica da competição e eras da Indy
Tipos de pista
- Ovais curtos (short ovals): exigiam adaptação em traçados estreitos e intensa “tráfego”.
- Superovais (superspeedways): corridas de alta velocidade com desafios aerodinâmicos e de segurança.
- Circuitos mistos permanentes: demandavam equilíbrio entre velocidade e técnica em curvas.
- Circuitos de rua: exigiam precisão enorme e alto risco de erros.
O Grande Cisma (The Split)
- 1996 a 2008: período em que a categoria principal se dividiu em CART (Champ Car) e IRL, com características e prioridades diferentes.
Sistema de pontuação e equipamento
- Sistema de pontos: premiava a regularidade; pontos extras por pole position e por liderar voltas eram comuns.
- Equipamento: na era da CART houve disputa entre chassis (Lola, Reynard) e motores (Honda, Toyota, Ford, Mercedes). Em grande parte da IRL, o chassi passou a ser único (Dallara), reforçando o papel do acerto mecânico.
Estatísticas, títulos e recordes
Emerson Fittipaldi
- Títulos: 1 (1989 – CART)
- Vitórias na Indy 500: 2 (1989 e 1993)
- Total de Vitórias: 22
Gil de Ferran
- Títulos: 2 (2000 e 2001 – CART)
- Vitórias na Indy 500: 1 (2003)
- Total de Vitórias: 12
- Recorde: volta mais rápida em circuito fechado: 241.428 mph (388.54 km/h) em Fontana, 2000
Tony Kanaan
- Títulos: 1 (2004 – IRL/IndyCar Series)
- Vitórias na Indy 500: 1 (2013)
- Total de Vitórias: 17
- Destaque: 318 largadas consecutivas
Cristiano da Matta
- Títulos: 1 (2002 – CART)
- Total de Vitórias: 12
- Destaque: 7 vitórias na temporada de 2002, incluindo série de 4 vitórias consecutivas
Curiosidades e fatos marcantes
Momentos que entraram para o folclore
- O suco de laranja (1993): ao vencer a Indy 500 pela segunda vez, Emerson Fittipaldi rompeu a tradição de beber leite no pódio e tomou suco de laranja, gerando reação do público.
- A volta imbatível: o recorde de velocidade de Gil de Ferran em Fontana (2000) permaneceu inalcançável por mudanças nas regras e configurações técnicas posteriores.
O legado dos brasileiros na IndyCar foi construído em diferentes eras e sob regras variadas, com pilotos que se destacaram por velocidade, técnica e regularidade. Esses capítulos ajudaram a consolidar uma relação duradoura entre o país e as pistas norte-americanas.
