Taxa caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025, diz Pnad Contínua. Governo atribui avanço a programas de Educação de Jovens e Adultos e ao novo CadEJA.
O Brasil registrou a menor taxa de analfabetismo da série histórica: 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabia ler e escrever em 2025. A queda veio depois de uma taxa de 5,3% registrada em 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
O país vinha atuando na superação do analfabetismo por meio de um conjunto de políticas e programas concentrados na educação de jovens e adultos (EJA). Entre as ações destacadas está a criação do Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), instituído pela Portaria nº 275/2026, que tem o objetivo de facilitar a aproximação entre quem deseja voltar a estudar e as oportunidades de matrícula nas redes de ensino.
O Censo Escolar de 2025 registrou 2.252.069 estudantes matriculados na EJA, em 29.696 instituições de ensino. A plataforma CadEJA foi desenhada para organizar esse fluxo e conta com quatro perfis de acesso para operacionalizar a busca e o encaminhamento dos interessados.
Os perfis na plataforma são descritos da seguinte forma:
- Usuário – pessoa com 15 anos ou mais que manifesta interesse em retomar os estudos, clicando em “Quero voltar a estudar” e preenchendo os dados solicitados na plataforma.
- Operador – responsável por acompanhar cadastros, contatar usuários e auxiliar no encaminhamento para matrícula; o operador acessa o CadEJA com conta gov.br e visualiza demandas por região.
- Agente de Cadastro – servidor público que apoia pessoas com dificuldade de acesso à plataforma, fazendo o registro da demanda por EJA; exige cadastro individual e assinatura de termo de responsabilidade.
- Gestor CadEJA – servidor indicado pelo governo estadual, municipal, distrital ou por instituição federal de ensino para gerenciar as demandas registradas e facilitar o encaminhamento às instituições ofertantes.
Além do CadEJA, o conjunto de ações para a EJA inclui o Programa Nacional de Formação para a Docência na Educação de Jovens e Adultos (ProfEJA), acionado para qualificar os profissionais que atuam nessa modalidade. O ProfEJA apoia também a formação continuada de educadores populares vinculados ao Programa Brasil Alfabetizado e a outras iniciativas, conforme Portaria nº 38/2026.
O Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA) reúne metas como a elevação da escolaridade de jovens, adultos e idosos; a ampliação de matrículas na EJA nos sistemas públicos, inclusive entre pessoas privadas de liberdade; e a expansão da oferta integrada à educação profissional.
Total
- Instituições com EJA: 29.696 (rede pública: 28.204)
- Matrículas na EJA: 2.252.069 (rede pública: 2.084.947)
Norte
- Total: 4.487 escolas; 255.014 matrículas (rede pública: 233.101)
- Rondônia: 91 escolas; 13.038 matrículas (rede pública: 12.647)
- Acre: 341 escolas; 21.041 matrículas (rede pública: 20.535)
- Amazonas: 1.330 escolas; 56.831 matrículas (rede pública: 54.986)
- Roraima: 88 escolas; 6.367 matrículas (rede pública: 5.575)
- Pará: 2.219 escolas; 131.380 matrículas (rede pública: 119.486)
- Amapá: 173 escolas; 15.924 matrículas (rede pública: 11.756)
- Tocantins: 245 escolas; 10.433 matrículas (rede pública: 8.116)
Nordeste
- Total: 16.901 escolas; 1.205.167 matrículas (rede pública: 1.185.878)
- Maranhão: 3.104 escolas; 134.643 matrículas (rede pública: 131.896)
- Piauí: 1.306 escolas; 98.975 matrículas (rede pública: 98.525)
- Ceará: 1.633 escolas; 148.616 matrículas (rede pública: 144.271)
- Rio Grande do Norte: 652 escolas; 46.335 matrículas (rede pública: 45.221)
- Paraíba: 1.402 escolas; 89.977 matrículas (rede pública: 87.886)
- Pernambuco: 1.608 escolas; 116.631 matrículas (rede pública: 114.429)
- Alagoas: 1.082 escolas; 108.630 matrículas (rede pública: 107.965)
- Sergipe: 481 escolas; 33.472 matrículas (rede pública: 33.382)
- Bahia: 5.633 escolas; 427.888 matrículas (rede pública: 422.303)
Sudeste
- Total: 5.027 escolas; 493.690 matrículas (rede pública: 459.438)
- Minas Gerais: 1.937 escolas; 125.517 matrículas (rede pública: 118.527)
- Espírito Santo: 317 escolas; 31.486 matrículas (rede pública: 30.145)
- Rio de Janeiro: 1.145 escolas; 150.054 matrículas (rede pública: 144.197)
- São Paulo: 1.628 escolas; 186.633 matrículas (rede pública: 166.569)
Sul
- Total: 2.287 escolas; 192.944 matrículas (rede pública: 118.872)
- Paraná: 974 escolas; 75.543 matrículas (rede pública: 42.770)
- Santa Catarina: 474 escolas; 46.933 matrículas (rede pública: 29.442)
- Rio Grande do Sul: 839 escolas; 70.468 matrículas (rede pública: 46.660)
Centro-Oeste
- Total: 994 escolas; 105.254 matrículas (rede pública: 87.658)
- Mato Grosso do Sul: 177 escolas; 16.098 matrículas (rede pública: 12.573)
- Mato Grosso: 281 escolas; 19.978 matrículas (rede pública: 12.645)
- Goiás: 413 escolas; 46.571 matrículas (rede pública: 41.322)
- Distrito Federal: 123 escolas; 22.607 matrículas (rede pública: 21.118)
As informações mostram avanços, mas também evidenciam a dimensão do desafio: manter e ampliar a oferta da EJA exige articulação entre governos, professores e comunidade para transformar a redução da taxa de analfabetismo em oportunidades reais de continuidade dos estudos e inserção no mercado de trabalho.
