A mostra 'Devorações do Amanhã – Brasil em rebento' abre de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026 no Gwangju History & Folk Museum. Curada por Aldones Nino e Bruna Levi, reúne obras de diversas gerações.
A Bienal de Gwangju, uma das mais renomadas do mundo, contará pela primeira vez com um pavilhão brasileiro na sua 16ª edição, que ocorrerá de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026. O espaço será instalado no Gwangju History & Folk Museum e será coordenado pelos curadores Aldones Nino e Bruna Levi.
A exposição, intitulada “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, reunirá obras de 35 artistas brasileiros, representando diferentes gerações e regiões do país. Entre os artistas estão nomes como Adriana Varejão, Alex Červený, Cinthia Marcelle e Mariana Rocha, entre outros.
“Devorações do Amanhã” propõe a criação do primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju. Ancorado no pensamento antropofágico brasileiro, o projeto atualiza a noção de devoração como uma operação crítica voltada ao presente”, afirmam os curadores.
Segundo eles, a proposta estabelece um diálogo direto com a temática da 16ª Bienal, que é “You Must Change Your Life” (Você precisa mudar a sua vida), sob direção de Ho Tzu Nyen. Essa abordagem parte da ideia de transformação como um imperativo ético e sensível diante das urgências contemporâneas.
A mostra abordará questões como o colapso ambiental e dilemas historiográficos, propondo reflexões sobre a construção de futuros possíveis. As obras serão apresentadas em diversos formatos, incluindo pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalação e performance, muitas delas inéditas.
Além disso, alguns artistas participarão de uma residência artística na Embaixada do Brasil em Seul, de 3 a 21 de agosto, onde desenvolverão novas obras. Entre os participantes estão Heloisa Hariadne, Lucas Lugarinho e Vinícius Gerheim.
A proposta busca destacar a diversidade da arte brasileira atual, que vai desde criações com matérias brutas até experimentações com tecnologias digitais e inteligência artificial. Exemplos incluem o trabalho de Maria Lira Marques, que utiliza pigmentos locais, e Panmela Castro, que explora a intersecção entre afeto e tecnologia.
“O Pavilhão brasileiro se insere como um campo de ressonância e deslocamento. Ao mobilizar a tradição antropofágica, o projeto tensiona a ideia de mudança não como resposta normativa, mas como um processo instável”, afirmam os curadores.
O Pavilhão Brasileiro foi idealizado para ser uma plataforma dinâmica, buscando fomentar diálogos entre diferentes realidades culturais e as sensibilidades do mundo atual. A proposta visa afirmar a arte contemporânea brasileira como um espaço ativo de transformação, onde a mudança é vista como uma prática concreta de reinvenção do mundo.





