Brasil busca novos parceiros para reduzir impacto dos EUA. A estratégia foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, na última quarta-feira (3 de junho), declarou que o país ampliará relações comerciais para mitigar os efeitos das novas tarifas propostas pelos Estados Unidos.
Tarifas de 25% colocam 21% das exportações em risco
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar taxação de 25% a parte das importações brasileiras ameaça diretamente 21% das vendas nacionais ao mercado norte-americano. O relatório, resultado de investigação iniciada ainda no governo de Donald Trump, acusa o Pix de prejudicar empresas de pagamentos eletrônicos norte-americanas, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.
Lula afirma que Brasil é “soberano e democrático”
Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula enfatizou que o país não adotará “política de vira-lata” frente a grandes potências. “Se não quiserem comprar, venderemos a quem quiser”, disse, reforçando a busca por novos compradores e investidores. Para o presidente, a postura norte-americana é “insensata”, especialmente após conversa em maio, em que ele e Donald Trump estipularam 30 dias para fechar um acordo comercial.
Prazo para defesa brasileira termina em 15 de julho
Empresas afetadas e o governo terão até 15 de julho para responder ao relatório do USTR, quando Washington poderá adotar medidas corretivas. Caso as tarifas entrem em vigor, exportadores de diversos setores – de produtos agroindustriais a manufaturados – deverão procurar mercados alternativos. O governo brasileiro estuda intensificar negociações com parceiros na Ásia, África e Europa.
G7 e reforma da ONU em pauta
Lula confirmou presença na próxima cúpula do G7, em junho, na França, como convidado do presidente Emmanuel Macron. O chefe de Estado pretende defender o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. “Não é destruindo a ONU que se resolve a crise; é reconstruindo-a”, afirmou.
Contexto internacional amplia necessidade de diversificação
Especialistas apontam que tensões comerciais crescentes reforçam a importância de ampliar acordos bilaterais e regionais. A Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta que barreiras tarifárias tendem a diminuir o crescimento do comércio global. Para o Brasil, consolidar parcerias em blocos como Mercosul e BRICS pode compensar possíveis perdas no mercado norte-americano.
Ao reiterar que “o Brasil é dono do seu nariz”, Lula sinaliza uma política externa voltada a proteger exportadores e atrair novos investimentos. Resta agora acompanhar as tratativas diplomáticas até julho e os resultados da participação brasileira no G7.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
