O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), rebateu neste domingo (1º) a resposta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a crítica ao aumento do ICMS dos combustíveis. A troca de declarações ocorreu após Boulos responsabilizar o governador pelo reajuste previsto para 2027.
Em publicações nas redes sociais, Boulos afirmou que havia desinformação e que a postura do governador representava “hipocrisia e oportunismo político”, pedindo que ele assumisse responsabilidade pelas posições tomadas. Também disse que o governador havia atacado sua pessoa depois que ele questionou o aumento do imposto.
“Está claro quem está alimentando a desinformação. Pior do que isso, agindo com hipocrisia e oportunismo político. Assuma a responsabilidade de suas posições, Tarcísio”
“Isso não muda NADA em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha. Passou meses atacando Lula a respeito de impostos. E três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz”
Segundo o ministro, a cobrança sobre o diesel passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro. Boulos comparou a medida com a política do governo federal, que mantém subsídios para conter o preço do combustível, e pediu uma mudança de postura do governador paulista.
Em nota publicada antes da resposta de Boulos, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o ministro “distorce os fatos” e criticou a atuação do integrante do governo federal ao fazer críticas públicas sobre o aumento do imposto. Na nota, o governador disse que, quem ocupa um cargo de alta responsabilidade deveria esclarecer a população, e não espalhar desinformação.
“É lamentável que um ministro de Estado distorça os fatos para fazer ataques políticos. Quem ocupa um cargo dessa importância deveria esclarecer a população, não espalhar desinformação”
O governador destacou que o reajuste não foi decisão isolada de São Paulo, mas deliberação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), colegiado presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e formado por representantes dos 26 estados e do Distrito Federal. Segundo a nota, a ratificação dos convênios foi aprovada por unanimidade, incluindo representantes de governos do PT.
O reajuste foi aprovado na última terça-feira (27), dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, e abrangerá diesel, gasolina e gás de cozinha. A mudança entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2027.
As declarações de ambos os lados mantiveram o foco na responsabilidade política e na interpretação sobre a origem da decisão — se como ação de governadores reunidos no Confaz ou como opção alinhada a posicionamentos de campanha. A discussão deve repercutir na avaliação pública sobre o impacto do aumento de alíquotas sobre combustíveis e gás de cozinha.
