O governo boliviano decretou estado de exceção e encerrou semanas de protestos que isolaram La Paz. Enquanto isso, bolivianos celebraram o Ano Novo Andino nas montanhas.
A Bolívia vive um momento de transição após a aprovação do estado de exceção, que foi declarado pelo presidente Rodrigo Paz, encerrando um ciclo de mais de 50 dias de intensos bloqueios de estradas. A decisão governamental busca restaurar a normalidade em regiões como La Paz, que ficou isolada devido aos protestos sociais que tomaram conta do país.
No domingo, 21 de junho, milhares de bolivianos se reuniram nas montanhas ao redor de La Paz para celebrar o Ano Novo Andino, uma tradição que envolve oferendas à Pachamama e que coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Sul. Com as mãos levantadas, os participantes aguardaram a chegada dos primeiros raios de sol, que, segundo a cosmovisão andina, trazem energia cósmica. Essa celebração, que remonta aos antigos povos pré-hispânicos, trouxe um momento de pausa aos conflitos sociais.
Os bloqueios de estradas, que foram liderados por um dos principais sindicatos rurais do país, começaram a ser desmontados lentamente desde o sábado, quando o estado de exceção foi oficialmente anunciado. Apesar da crise social e da escassez de combustíveis, a tradição andina conseguiu reunir bolivianos, embora a participação tenha sido afetada.
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“Estamos fazendo uma pausa no conflito para participar das celebrações e, na próxima semana, vamos analisar a situação”, disse um comunicado do sindicato que liderou os protestos.
Antes da celebração, a Assembleia Legislativa confirmou a aprovação do decreto que institui o estado de exceção, que foi ratificado por maioria. No entanto, um grupo de cocaleros, que é alinhado ao ex-presidente Evo Morales, permaneceu em protesto. O governo acusa esse grupo de instigar os movimentos para obter “impunidade” em investigações relacionadas a um suposto abuso cometido por Morales durante seu mandato.
As forças de segurança intensificaram as operações para desobstruir as vias, mas não atuaram na região do Chapare, onde os bloqueios ainda persistem. Essa área é controlada pelos sindicatos cocaleros e está associada a atividades ilícitas, conforme apontam as autoridades. Durante o período de conflitos, centenas de caminhões ficaram presos nas rotas, e a situação complicou ainda mais a recuperação econômica da Bolívia.
Os empresários estimam que as perdas provocadas pelos bloqueios ultrapassam os US$ 2 bilhões. Além disso, as cidades enfrentaram desabastecimento de combustíveis e alimentos, em meio à pior crise econômica que o país enfrenta em quatro décadas.
