Documentos da Operação Compliance Zero apontam fortes indícios de que R$ 12,2 bilhões atribuídos ao Master eram inexistentes. Entre jan. e mai. de 2025, o BRB pagou R$ 6,7 bi pelos créditos e R$ 5,5 bi de prêmio.
O Banco Central identificou fortes indícios de que R$ 12,2 bilhões em créditos atribuídos ao Banco Master e vendidos ao BRB não existiam. Essa conclusão consta dos documentos que motivaram a investigação denominada Operação Compliance Zero, cujo sigilo foi retirado pela Corte Suprema.
Segundo os papéis, as operações envolveram carteiras de empréstimos que o Master alegou ter adquirido e depois repassado ao banco público. Entre janeiro e maio de 2025, o BRB pagou R$ 6,7 bilhões pelos créditos e outros R$ 5,5 bilhões como prêmio, conforme os registros apresentados aos investigadores.
Para checar a existência efetiva dos empréstimos, o Banco Central selecionou uma amostra de 30 clientes e buscou movimentações financeiras que comprovassem a liberação dos valores aos supostos tomadores. Em nenhum dos 30 casos foi possível relacionar os contratos vendidos ao BRB a um pagamento feito ao suposto tomador do empréstimo.
O BC ponderou que algumas transferências internas poderiam não constar das bases consultadas, mas destacou que conseguiu localizar a liberação de recursos em quase todas as operações que essas mesmas pessoas mantinham com outras instituições financeiras. Esse contraste reforçou a suspeita sobre a origem dos créditos repassados pelo Master ao BRB.
Outro elemento considerado atípico pelos técnicos foi a concentração de operações em poucos valores padronizados. Em apenas quatro dias de janeiro de 2025 foram registradas 182 mil operações para 151 mil pessoas, mas os empréstimos apareciam distribuídos em somente 12 valores diferentes em cada dia. Para os investigadores, esse padrão era incompatível com a concessão normal de empréstimos consignados, já que os valores costumam variar conforme renda, margem e necessidade de cada cliente.
O Banco Central também verificou repetição de nomes entre carteiras. De 358.353 clientes analisados nas cessões feitas entre dezembro de 2024 e maio de 2025, 290.438 já haviam sido incluídos em operações anteriores vendidas pelo mesmo Master ao BRB, o que chamou atenção das equipes de fiscalização.
Os documentos sobre as apurações foram divulgados depois que o presidente da Corte Suprema determinou a retirada do sigilo das investigações do Master e dos processos relacionados, com encaminhamento do material aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro. O relator da investigação atendeu ao despacho e liberou os documentos, enviando cópia integral à presidência da Corte e aos demais integrantes.
A divulgação do material ocorreu em meio a uma crise institucional desencadeada por relatórios da Polícia Federal que mencionaram contatos entre o dono do banco e integrantes da Corte. No desenrolar dos fatos, o relator chegou a afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de Inteligência; depois houve determinação de retorno desses dirigentes e, em seguida, suspensão das decisões, com concentração da análise na presidência da Corte e convocação dos 11 ministros para sessão no dia 15.
