A Operação Compliance Zero expôs uma rede criminosa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Fraudes, invasão de sistemas e vazamento de dados sigilosos marcaram anos de investigação federal.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, foi iniciada no ano passado após solicitação do Ministério Público Federal para investigar fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação evoluiu, revelando um esquema complexo que envolveu corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de sistemas e vazamento de informações sigilosas.
Durante os anos de 2025 e 2026, a operação se desdobrou em nove fases, evidenciando um esquema que alcançou familiares de Vorcaro, executivos do setor financeiro, policiais federais e importantes figuras da política nacional.
A primeira fase teve início em novembro de 2025, logo após o anúncio de que o Banco Master seria comprado pela Fictor Holding. Os investigadores focaram na análise de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades muito acima da média do mercado. A suspeita era de que muitos desses títulos não possuíam garantias adequadas, o que poderia ter gerado uma exposição bilionária para os investidores. Essa fase culminou na prisão de Vorcaro e outros seis envolvidos, além do afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia. Na ocasião, o prejuízo potencial estimado chegava a R$ 12 bilhões.
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Com o avanço das investigações, a segunda fase, realizada em janeiro de 2026, teve como foco o rastreamento do destino dos recursos movimentados pelo grupo. Foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, que incluíram familiares de Vorcaro. O cunhado dele, Fabiano Zettel, foi detido ao tentar embarcar para os Emirados Árabes. A Justiça bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos financeiros, além de apreender relógios de luxo e veículos de alto padrão.
A terceira fase, deflagrada em março, trouxe novas revelações. A Polícia Federal investigou um grupo que se dedicava à obtenção ilegal de informações e intimidação de adversários. Vorcaro foi preso novamente, assim como seu cunhado Fabiano Campos Zettel e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. O foco estava na coleta de informações sigilosas e na pressão a testemunhas, com relatos de ameaças de violência. Essa fase resultou no bloqueio de bens e ativos estimados em R$ 22 bilhões. Infelizmente, Mourão morreu sob custódia, com a investigação concluindo que a causa foi suicídio.
A quarta fase, em 16 de abril de 2026, analisou aportes de R$ 16,7 bilhões do BRB em operações relacionadas ao Banco Master. Investigadores buscaram entender a suposta corrupção de agentes públicos. O presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, emergiu como um dos principais alvos e foi preso, assim como o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro.
Na quinta fase, em 7 de maio de 2026, a PF explorou as relações políticas envolvidas no esquema. Mandados foram cumpridos contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, variando de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, também foi preso. Ao todo, foram emitidos dez mandados de busca e apreensão, com foco nas ações de Nogueira em favor dos interesses de Vorcaro.
