59 áudios do celular de Cléber Azevedo, o 'companheiro' do PCC, foram repassados pela PF ao Gaeco. Em março, Gaeco, PF e Corregedoria abriram a Operação Bazaar para apurar corrupção e lavagem envolvendo quatro delegacias.
Recentemente, áudios encontrados no celular de Cléber Azevedo dos Santos, conhecido como “companheiro” do PCC, expuseram um esquema de corrupção envolvendo policiais de São Paulo. Os áudios, que totalizam 59, foram repassados pela Polícia Federal ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo.
Com base nessas gravações, o Gaeco, a PF e a Corregedoria da Polícia Civil iniciaram, em março, a Operação Bazaar. Esta operação teve como foco um esquema de corrupção que abrange lavagem de dinheiro e que envolve quatro delegacias, além de três departamentos da Polícia Civil de São Paulo.
No decorrer da operação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de 11 mandados de prisão e 6 de intimação, visando integrantes da organização criminosa, advogados e policiais. Posteriormente, as evidências coletadas contribuíram para a Operação Janus, resultando na prisão de 18 acusados, sendo que 11 deles foram capturados na última terça-feira, enquanto dois já se encontravam detidos.
De acordo com o Gaeco, os áudios analisados mostram claramente a participação dos investigados como agentes que promovem e financiam a facção, destacando que alguns interlocutores são líderes da organização criminosa. Parte dessas conversas foi acessada por meio de veículos de comunicação.
Uma das gravações apresenta o advogado Guilherme Sacomano Nasser, que, segundo o Gaeco, teria oferecido uma vantagem indevida de R$ 100 mil a policiais, com a intenção de obstruir investigações contra pessoas ligadas ao grupo criminoso liderado por Cléber Santos, Robson Martins de Souza e Paulo Rogério Dias, conhecido como Paulo Barão. Nasser teria oferecido propina aos policiais José Eduardo da Silva e Ciro Borges de Magalhães Ferraz.
O Gaeco também informou que os agentes deixaram de investigar condutas ilícitas que foram identificadas em relatórios de inteligência financeira requisitados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Até o momento, não foi possível contatar Nasser ou a defesa dos outros envolvidos na investigação.
A Operação Janus reuniu evidências que sugerem que os operadores financeiros do PCC mantinham relações próximas com coronéis que integraram a alta cúpula da Polícia Militar de São Paulo. Entre os citados estão Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota, além de um indivíduo conhecido como “Patrício”. O comando da PM destacou que colaborou com a operação junto ao Ministério Público.
O ex-comandante Coutinho pediu demissão e foi exonerado do cargo em 16 de abril, após uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas, na qual discutiram um depoimento do promotor Lincoln Gakiya à Corregedoria da PM. Gakiya afirmou ter apresentado a Coutinho um áudio que demonstrava que policiais da Rota estariam vendendo informações ao PCC, mas Coutinho não teria tomado providências. O ex-comandante e os outros coronéis mencionados na investigação não foram alvo da operação realizada.
