Andrei Roman, diretor-executivo da AtlasIntel, afirmou que baixa participação e maior mobilização das bases explicam a diferença entre pesquisas e resultado. Apesar das sondagens, Lula virou e venceu.
Nesta terça-feira (27), o diretor-executivo da AtlasIntel, Andrei Roman, explicou por que as pesquisas eleitorais que antecederam o segundo turno não captaram a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Roman, fatores de comparecimento e mobilização das bases eleitorais foram determinantes para a diferença entre as intenções de voto divulgadas e o resultado final.
Roman lembrou que, apesar de a maioria das pesquisas ter mostrado Lula atrás de Flávio na corrida à Presidência, o presidente foi reeleito para seu quarto mandato em virada histórica, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% e Lula 45,16%, resultado que, para o diretor, refletiu uma desmobilização atípica do eleitorado do petista.
“Em linha com as pesquisas, Lula teria ficado em primeiro lugar no 1º turno se a abstenção de seu eleitorado não fosse atípica”
Roman afirmou que a menor presença dos eleitores de Lula no primeiro turno gerou incerteza sobre o padrão de comparecimento para o segundo turno. Essa dúvida, segundo ele, fez com que muitos institutos considerassem mais provável a repetição do mesmo padrão na etapa decisiva, mesmo diante de sinais de aumento de engajamento.
“Mesmo com métricas indicando aumento de engajamento e mobilização, era difícil aferir a magnitude exata”
O diretor-executivo apontou ainda que, no segundo turno, ocorreu um deslocamento no padrão de comparecimento: houve menor comparecimento do eleitor de direita e uma mobilização histórica da base de Lula. Roman disse que a maioria dos institutos não antecipou esse movimento — o chamado pêndulo — e não o refletiu adequadamente nos modelos de eleitorado provável.
“A maioria dos institutos não antecipou esse pêndulo e não o refletiu corretamente nos modelos de eleitorado provável. A AtlasIntel antecipou o pêndulo, mas com premissas demasiado conservadoras sobre a magnitude da desmobilização da direita e da mobilização da esquerda”
Além das questões de metodologia e premissas, Roman relatou um ambiente de pressão institucional nas semanas entre os dois turnos. Ele citou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a derrubada de uma pesquisa anterior da AtlasIntel pelo presidente da Corte, o ministro Kassio Nunes Marques — que havia mostrado queda nas intenções de voto de Flávio após divulgação de mensagens trocadas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — e movimentações políticas por investigações sobre levantamentos eleitorais.
“As novas regras pareciam dedicadas a perseguir pesquisas caso errassem. Em paralelo, políticos começaram a agitar por uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] sobre as pesquisas; juízes estaduais adotaram decisões absurdas de embargar pesquisas”
Roman também avaliou que o chamado “erro inesperado” da primeira etapa da disputa não aponta uma “culpa metodológica evidente dos institutos”. Ele ponderou que a postura do TSE acabou criando uma atmosfera em que era percebido como mais seguro que divergências favorecessem a direita do que a esquerda, mas reforçou que isso não significa fraude ou manipulação dos levantamentos.
