Atendimento de idosos em casa: projeto-piloto chega a três cidades
Atendimento de idosos em casa será oferecido, a partir de abril, a famílias de Fortaleza (CE), Juazeiro (BA) e Colombo (PR) por meio do projeto-piloto nacional Cuidando em Casa. A iniciativa vai contemplar inicialmente 300 pessoas com 60 anos ou mais em cada município, priorizando moradores de áreas periféricas com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Foco nas comunidades mais vulneráveis
Na capital cearense, as primeiras visitas ocorrerão nos bairros Conjunto Palmeiras e Barra do Ceará, que concentram elevado número de idosos e altos índices de vulnerabilidade. Segundo a vice-prefeita e geriatra Gabriella Aguiar, muitas dessas pessoas passam o dia sozinhas, sem garantia de alimentação adequada ou acompanhamento profissional.
Modelo multidisciplinar e financiamento internacional
O Cuidando em Casa conta com recursos do governo federal, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Equipes formadas por profissionais de saúde e assistência social farão a triagem, elaborarão planos de cuidado e acompanharão de forma contínua cada beneficiário, em articulação com unidades básicas de saúde e centros de referência de assistência social.
Alívio para cuidadores familiares
Durante reunião realizada na sede do BID, em Brasília, na última quarta-feira (11 de março), o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que o programa pretende ampliar a autonomia dos idosos e, ao mesmo tempo, reduzir a sobrecarga de quem assume o cuidado diário — na maioria dos casos, mulheres da própria família.
De acordo com a coordenadora especial da Pessoa Idosa de Fortaleza, Vejuse Alencar, grande parte das cuidadoras também é idosa. Essas mulheres dedicam, em média, mais de 20 horas por dia aos parentes acamados, o que torna essencial oferecer suporte profissional para evitar desgaste físico e emocional.
Etapa piloto antes da expansão nacional
Para a secretária nacional de Cuidados e Família, Laís Abramo, a experiência em três cidades permitirá ajustar protocolos e aperfeiçoar o serviço antes de levá-lo a outros municípios. O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento populacional e, conforme Abramo, a meta é integrar de forma estruturada o atendimento domiciliar à proteção social básica.
Economia para o sistema público
Representantes municipais estimam que a atenção preventiva no domicílio poderá reduzir internações e evitar complicações de saúde, gerando economia ao Sistema Único de Saúde. Fortaleza, por exemplo, tem 365 mil moradores acima de 60 anos — 15% da população — dos quais 65% encontram-se em situação de vulnerabilidade.
O Cuidando em Casa surge, portanto, como um passo importante para garantir dignidade aos idosos e apoio a quem cuida deles, reforçando a rede de proteção social em um país que envelhece rapidamente.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
