Ataque de Trump à Venezuela viola leis internacionais, diz especialista
Ataque de Trump à Venezuela é classificado como “tapa na cara das leis internacionais” pela professora Mary Ellen O’Connell, da Universidade de Notre Dame, que alerta para o aumento da desconfiança global e a dificuldade dos Estados Unidos retomarem a liderança mundial.
Especialista aponta violação do Direito Internacional
Professora de Direito e Estudos de Paz, O’Connell afirmou que o uso da força ordenado pelo então presidente norte-americano carece de justificativa legal. Segundo ela, “o mundo prospera na paz e num sistema onde tratados importam; recorrer à violência mina o Estado de Direito”. A jurista lembra que o bombardeio executado por tropas dos EUA deixou mortos e destruição em Caracas, sem respaldo de organismos multilaterais ou do sistema da ONU.
Risco de instabilidade persiste na Venezuela
Apesar da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3 de janeiro), O’Connell avalia que o cenário venezuelano pode permanecer inalterado. A vice-presidente Delcy Rodríguez deve assumir o governo conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ). “Mesmo com Maduro fora do país, não há garantia de triunfo democrático”, pontuou.
Intervenções na América Latina e motivações geopolíticas
O ataque de 2026 retoma a prática de intervenções diretas dos EUA na região — a última havia ocorrido em 1989, no Panamá. Washington acusa Maduro de chefiar o suposto cartel De Los Soles e chegou a oferecer US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão. Críticos veem a ação como tentativa de afastar Caracas de aliados como China e Rússia e de ampliar o controle sobre as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta.
Resgate do Estado de Direito como caminho
Para O’Connell, países que obedecem às normas internacionais colhem resultados duradouros. “Precisamos enfrentar o tráfico de drogas e humano, mas não violando a lei, e sim fortalecendo tribunais capazes de responsabilizar quem desrespeita as regras”, concluiu.
No contexto das relações hemisféricas e da defesa do multilateralismo, o episódio reacende o debate sobre a legitimidade das ações unilaterais dos Estados Unidos e o futuro da ordem jurídica global. Continue acompanhando a cobertura completa em nossa editoria Internacional.
Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
